segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O mistério do cometa Holmes


Semana passada um evento chamou a atenção dos astrônomos pelo mundo afora. Um cometa obscuro aumentou seu brilho em um milhão de vezes em poucas horas. Ele saiu da magnitude 17 (visível apenas em poucos telescópios) para algo próximo de 2, visível a olho ao cair da tarde em grandes cidades!

O que teria acontecido com este cometa?O cometa 17P/Holmes foi descoberto há mais de 100 anos e possui uma órbita de sete anos de período, o que não permite uma grande aproximação do Sol -- por isso ele é tão fraquinho. O seu perihélio (a menor distância até o Sol) se deu em maio deste ano e foi além da órbita de Marte.

A descoberta do cometa também aconteceu quando ele teve um aumento de brilho repentino. Primeiro, ele apareceu como um objeto fraco, observado nas imediações da galáxia de Andrômeda no dia 06 de novembro de 1892, mas em poucos dias ele se tornou visível a olho nu. O que faz este cometa se comportar assim?Ninguém sabe, mas algumas hipóteses são boas. Sabe-se hoje em dia que os cometas não são necessariamente rochas cobertas de gelo compacto. O gelo se estrutura como um queijo suíço, com túneis e galerias que sofrem com o regime de aquecimento/resfriamento durante o percurso da órbita.

As variações de temperatura devem forçar o gelo a se expandir e contrair o que faz com que estas galerias colapsem de vez em quando. Quando isso acontece, uma parte interna do núcleo, rica em material volátil que ficava protegida pelas camadas superiores fica exposta, provocando uma súbita explosão de gás. Esta explosão lança para o espaço uma grande quantidade de gás misturado com poeira que reflete a luz do Sol. Esta é uma boa teoria, mas que dada a distância até o cometa, vai ser difícil de ser comprovada. Acredita-se que o mesmo tenha ocorrido em 1892, fazendo com que o cometa Holmes pudesse ser descoberto.Infelizmente, o show só está disponível para o Hemisfério Norte.

Quem estiver acima da linha do Equador deve procurar um disco difuso e amarelado (como na imagem de Igor Chekalin acima) na constelação de Perseu, na direção nordeste, logo após o entardecer.Eric Allen do Canadá montou esta seqüência (abaixo) de imagens mostrando a expansão do gás em volta do núcleo e colocou lado a lado com o disco de Júpiter para comparar seus tamanhos. Como a distância da Terra até o cometa é agora quase a mesma da Terra até Júpiter, os tamanhos físicos podem ser comparados. Trocando em miúdos: a nuvem em volta do cometa poderia engolir Júpiter!
Mas o mistério em volta (literalmente) do cometa Holmes ainda não acaba aí. Até agora não há indícios de cauda neste cometa. Mesmo com tanto gás da explosão, ainda não existem evidências fortes de que exista uma cauda proeminente. Nesta segunda-feira (29) saíram duas fotos que sugerem de leve a existência dela, mas estranhamente a possível cauda não aponta para a direção contrária ao Sol, como se esperaria.Ainda será preciso esperar mais um pouco até que a nuvem se dissipe para termos uma visão melhor do núcleo.
Fonte: Globo on line

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Astrônomos procuram buraco negro e acham centenas

Astrônomos passaram décadas procurando uma população de buracos negros considerados 'desaparecidos'. A busca por esses objetos, até agora, havia revelado apenas o topo do iceberg. Nesta sexta-feira (26), os cientistas da Nasa revelam o iceberg inteiro: centenas deles, se escondendo nas profundezas das galáxias a bilhões de anos-luz de distância.

A descoberta, que será publicada na edição de 10 de novembro da revista científica especializada "Astrophysical Journal", foi possível com o trabalho conjunto dos telescópios espaciais Spitzer e Chandra e, na verdade, é apenas uma fração do que se espera que exista no Universo. Os astrônomos acreditam que há milhões de buracos negros crescendo no Cosmos -- e nós não conhecemos nem a metade deles.

Ilustração mostra como seria um gigantesco buraco negro supermaciço, como os que foram encontrados, em crescimento (Foto: Nasa/JPL-Caltech)

Imagem feita em infravermelho pelo Spitzer mostra alguns dos buracos negros descobertos (Foto: Nasa)
Fonte: G1

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Fumaça deixa a Lua com aspecto alaranjado na Califórnia


Foto da lua com aspecto alaranjado na Califórnia , EUA devido ao incêndio de grandes proporções no local.


quarta-feira, 24 de outubro de 2007

China lança com sucesso satélite para orbitar a Lua

Imagem divulgada pela agência oficial Xinhua mostra momento do lançamento (Foto: AP)

China lançou nesta quarta-feira (24) com sucesso o Chang'E 1, primeiro satélite do país asiático que orbitará ao redor da Lua. A iniciativa representa um passo decisivo no programa espacial do país asiático, que espera enviar seus astronautas a esse satélite por volta de 2020. O nome Chang'e-I é inspirado em uma deusa tradicional chinesa: segundo a lenda, ela viajou à Lua e habita nela. O satélite foi lançado às 18h05 (8h05 de Brasília) a partir da base espacial de Xichang, na província de Sichuan. O Chang'e-I deve entrar na órbita de transferência entre a Terra e a Lua em 31 de outubro, e em 5 de novembro alcançará a órbita lunar para explorar o astro por um ano. A nave fotografará a superfície do satélite e analisará a poeira lunar com câmeras e espectrômetros.

O lançamento é o primeiro passo do programa lunar chinês. Depois, outro veículo não-tripulado aterrissará na Lua. Mais tarde, dentro de cerca de 15 anos, deverão chegar ao satélite os primeiros astronautas chineses. A corrida espacial chinesa causa nervosismo entre países como Índia e Japão, que também querem desenvolver viagens espaciais, e Estados Unidos, que temem a utilização do programa com fins militares. O lançamento desta quarta foi o primeiro aberto a espectadores, após décadas de sigilo.

Fonte: G1

Duas mulheres no comando se encontram no espaço pela primeira vez

A comandante do ônibus espacial Discovery, Pamela Melroy (Foto: AP)

Um grande salto está prestes a ser dado para as mulheres. Quando o ônibus espacial Discovery for lançado ao espaço nesta terça (23), uma mulher estará sentada na cadeira de comando. E lá em cima, na Estação Espacial Internacional (ISS), uma outra estará esperando para saudá-la.
Esta será a primeira vez, em 50 anos da história espacial, que duas mulheres estarão no comando de duas tripulações ao mesmo tempo.

E isso não é jogada de marketing da Nasa, mas uma coincidência que agrada a comandante do ônibos espacial, Pamela Melroy, e a da estação espacial, Peggy Whitson.
"Para mim, é o que tem de mais interessante nisso tudo", disse Melroy, uma coronel reformada das Forças Armadas que se tornará a segunda mulher a comandar um vôo espacial. "Não foi algo planejado ou orquestrado para acontecer."Realmente, as duas semanas de Melroy na missão de construção na ISS foram originalmente planejada para ocorrer antes da missão de seis meses de Whitson. "Este é um acontecimento muito especial para nós", disse Melroy. "Há um número suficiente de mulheres no programa e coincidentemente isso poderia acontecer, o que é maravilhoso. Diz muito sobre os primeiros 50 anos dos vôos espaciais."Whitson -- a primeira mulher a chefiar uma estação espacial -- chegou ao posto avançado orbital a bordo da nave russa Soyuz em 12 de outubro. Ela viajou com dois homens, entre eles um cosmonauta que a acompanhará durante todo o período de seis meses.

Onze anos atrás, pouco antes de Shannon Lucid ser enviada à estação espacial russa Mir, um oficial russo disse durante uma entrevista ao vivo que ele estava contente pela presença de uma mulher na estação, porque "nós sabemos que mulheres adoram limpar".
"Não ouvi nada parecido dos russos", disse Whitson em entrevista à agência de notícias Associated Press na semana passada. "Os cosmonautas são muitos profissionais. Ter trabalhado e treinado com eles durante anos antes de chegar essa oportunidade facilitou as coisas, porque não se tornou algo diferente para eles."

"Então creio que tenho mais sorte. Provavelmente Shannon quebrou mais barreiras nesse ponto do que eu", acrescentou Whitney, que passou seis meses a bordo da estação espacial em 2002.Melroy, de 46 anos, ex-piloto de testes de Rochester, NY, e Whitson, 47, uma bioquímica com Ph.D. que cresceu em uma fazenda em Iowa, estão entre as 18 mulheres astronautas da Nasa. Setenta e três são homens.


A contagem regressiva para o lançamento do Discovery começou neste sábado. Este será o terceiro vôo de Melroy em uma nave espacial; no primeiro, ela era co-piloto.
Melroy se tornou astronauta em 1995 e Whitson, em 1996. E agora, pouco mais de dez anos depois, as duas protagonizam um encontro inédito na história espacial. Definitivamente um grande passo para as mulheres, já que até o ano de 1978 elas não eram aceitas como autronautas pela Nasa.

Fonte: G1

Ônibus espacial Discovery decola com sucesso na Flórida

O ônibus espacial Discovery partiu com sucesso às 13h38 (no horário de Brasília) de ontem (23) do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, rumo à Estação Espacial Internacional (ISS). A nave leva ao complexo orbital o módulo "Harmony II", que vai unir os componentes japoneses e europeus.

A contagem regressiva começou no sábado (20), depois da Nasa ter determinado, na quarta, que os problemas detectados na cobertura das asas do Discovery não seriam uma ameaça à segurança do vôo. "Todos os nossos sistemas estão em bom estado. Não há nada a comentar", disse o responsável do lançamento, Charlie Blackwell-Thompson. A nave americana leva alimentos e equipamentos para a ISS, além do módulo Harmony II, que será agregado à estrutura da estação internacional durante cinco caminhadas ou atividades extraveiculares. Quatro das cinco caminhadas espaciais serão realizadas por tripulantes do Discovery e, a quinta, pelos ocupantes da ISS.

Este vôo espacial será o primeiro da história em que duas mulheres estarão no comando da nave e da Estação Espacial Internacional. O Discovery será comandado pela coronel Pamela Melroy, enquanto a ISS segue sob o comando da bioquímica Peggy Whitson. A tripulação do Discovery também inclui o italiano Paolo Ángelo Néspoli, astronauta da Agência Espacial Européia (ESA), a especialista Stephanie Wilson e os astronautas George Zamka, Scott Parazynski, Douglas Wheelock e Daniel Tani. Tani vai substituir o astronauta Clay Anderson no ISS, que voltará à Terra a bordo do Discovery. O módulo italiano Harmony II, que será instalado na ISS, aumentará o espaço interior do laboratório orbital e fornecerá pontos de conexão com os módulos europeu e japonês. Ele é similar ao módulo hexagonal Unity, que conecta as seções americana e russa na ISS.

O retorno da nave está previsto para 6 de novembro, às 7h47.

Fonte: G1

Restos de uma supernova


Explicar e entender os mecanismos que determinam o fim da vida de uma estrela de grande massa é muito difícil. Como se não bastasse isso, explicar e entender o que sobra depois da morte de uma estrela de grande massa, também não é nada fácil. Os remanescentes de supernova guardam mais perguntas do que respostas.


A fotografia acima, composta por imagens em raios-X e no visível, mostra bem a complexidade da fase final de estrelas com 10 ou mais massas solares. Este remanescente de supernova é conhecido como G292.0+1.8 e está a uma distância de 20.000 anos luz de nós na constelação do Centauro. Ele é conhecido como um dos três remanescentes de nossa galáxia a conter oxigênio.


Por isso, o G292 é alvo de constantes estudos.Esta última imagem do Chandra mostra estruturas complicadas em rápida expansão. Além de oxigênio, outros elementos pesados como neônio e silício foram produzidos durante a explosão. Estes (e mais outros) elementos químicos contaminam as nuvens de gás e poeira próximos e vão ajudar a formar outras estrelas e, quem sabe, novos sistemasplanetários.Para chegar a este grau de detalhes, o telescópio espacial Chandra ficou observando G292 durante seis dias seguidos. Mapeando a distribuição dos raios-X emitidos em diferentes bandas, podemos saber agora como os elementos químicos produzidos na explosão foram ejetados. Os resultados surpreenderam a todos, pois mostram que a explosão não foi perfeitamente simétrica.


Por exemplo, o azul (que representa silício e enxofre) e o verde (magnésio) estão concentrados no canto superior direito, enquanto o amarelo e o alaranjado (oxigênio) estão concentrados no canto inferior esquerdo. Esse padrão de cores também indica que a temperatura é maior na parte superior direita. É possível notar uma envoltória avermelhada que parece embrulhar toda a bolha. Esta é a frente de choque do gás expandindo e comprimindo o gás interestelar.A explosão da supernova deixou uma estrela de nêutrons em rápida rotação, ou um pulsar. Ele está localizado um pouco abaixo à esquerda do centro da imagem. Uma outra característica intrigante é a faixa de material claro correndo quase ao centro da bolha. Essa faixa é conhecida como "cinturão equatorial" e foi formada antes da explosão, provavelmente através de ventos equatoriais.


Outro mistério ainda não explicado é a localização do pulsar. Em princípio ele deveria estar mais ou menos no centro da bolha, mas ele está muito afastado. Isso indica que a estrela sofreu algum recuo durante a explosão, mas ninguém sabe como.Apesar de não ser um caso 100% explicado, o G292 é considerado um importante laboratório dos remanescentes de supernova. Tantos processos físicos em um só ambiente permitem fazer dele um livro texto para explicar outros remanescentes estudados.


Fonte: G1

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Inauguração exposição Planetário RJ

Inauguração da exposição: Pequenos Companheiros. Planetário RJ. Rio, 18/10/2007.

Em comemoração aos 50 anos da chamada Era Espacial, a Fundação Planetário inaugura, a partir do dia 19 de outubro, a exposição temporária “Pequenos Companheiros”. O objetivo principal é mostrar ao público a rica história dos satélites artificiais, começando com o pioneiro Sputnik I – lançado em outubro de 1957 – até os dias atuais, com citações ao telescópio espacial Hubble e à Estação Espacial Internacional. Por se tratar de uma exposição inteiramente original, produzida pela própria Fundação, aspectos da história espacial brasileira serão enaltecidos. O visitante também terá a oportunidade de aprender como funciona um satélite e a importância deste equipamento para o nosso cotidiano.

De 3ª a 6ª , das 10 h às 17 h sábados , domingos e feriados , das 15 h às 19 h

Na foto, Marcomede Rangel do Observatório Nacional e consultor científico do Observatório Astronômico Monoceros

www.rio.rj.gov.br/planetario/
http://www.flodeo.com/marcomede

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Observatório Nacional - 180 anos

O Observatório Nacional (ON), baseado no Rio de Janeiro, completou 180 anos no dia 15 de outubro. Responsável pelo registro da hora oficial brasileira e, também, pela transição para o horário de verão o ON tem, na Hora do Brasil, sua primeira fonte de receita própria, graças à importância da hora oficial para transações digitais. O observatório acaba de ter aprovado um projeto na Finep de R$ 2 milhões para compra de novos equipamentos para manter a precisão da hora certa.

Em 2009, o Rio de Janeiro sediará a reunião bienal da União Astronômica Internacional (IAU). Será a primeira vez que o encontro ocorre fora dos EUA ou da Europa. Em sua última edição, a assembléia da IAU decidiu que Plutão não seria mais um planeta, e criou a categoria de planeta anão.

O astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão conta a história da instituição.

Em 27 de setembro de 1827, a Assembléia-Geral Legislativa do Império autorizou a criação de um observatório, subordinado ao Ministério do Império, cujas normas fossem determinadas pelos professores da Academia Militar e da Marinha. Um decreto de Dom Pedro I, em 15 de outubro, determinou que o Visconde de São Leopoldo, Ministro do Império, iniciasse as atividades de criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, “no lugar que se julgar mais apropriado”.

A nova instituição deveria orientar os estudos geográficos, geodésicos e astronômicos do território nacional e, também, atender às necessidades da navegação. Este ato de criação é, na realidade, a legalização do Observatório Astronômico, que existiu desde 1780, no Morro do Castelo, onde o astrônomo português Bento Sanches da Orta (1739-1825), já havia realizado observações astronômicas e meteorológicas, publicadas nas “Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa”, em 1797. O principal instrumento deste observatório -- um quarto de círculo Sisson -- encontra-se atualmente em exposição no Museu de Astronomia e Ciências Afins.

Como o Observatório de Paris, o nosso também funcionou inicialmente sem um diretor. Foi o professor de matemática da Escola Militar, Pedro de Alcântara Bellegarde (1807-1864) quem ficou encarregado do observatório, no torreão da Escola Militar. Em 1843, Bellegarde determinou a posição do cometa 1843I em relação à estrela Aldebarã, com o auxílio do quarto de círculo Sisson. Mais tarde, em 1845, Jerônimo Francisco Coelho, Ministro da Guerra, nomeou para diretor do Observatório o francês Eugênio Fernando Soulier de Sauve (? - 1850).

Pelo decreto nº 457, de 22 de julho de 1846, criou-se o Imperial Observatório do Rio de Janeiro, com os objetivos de "fazer todas as observações astronômicas e meteorológicas úteis às ciências, em geral, e ao Brasil, em particular, publicar anualmente uma efeméride e formar os alunos da Escola Militar". Os primeiros instrumentos foram cedidos pelo próprio Imperador D. Pedro II, como consta do prefácio das “Ephemérides para o ano de 1853”, e que possuía no Palácio da Quinta da Boa Vista um observatório – “o primeiro de São Cristóvão”. Em 1850, com o falecimento de Soulier de Sauve, assume a direção Antonio Manuel de Mello (1802-1866). Foi o responsável pela criação e edição dos “Anais Meteorológicos” e das “Efemérides do Imperial Observatório Astronômico” do Imperial Observatório.

Em 1870, o francês Emmanuel Liais (1826-1900), convidado para dirigir o Imperial Observatório, só aceitou o cargo após ter sido o Observatório desligado da Escola Militar. Em 1871, o médico Camilo Maria Ferreira Armond (1815-1882), Visconde de Prados, assume a direção do Observatório, por ocasião da viagem de Liais à França. Nesta administração, dois astrônomos são enviados à França para se aperfeiçoarem. Três anos mais tarde, Liais volta da Europa com diversos novos equipamentos, dentre eles uma luneta Dollond de 25 cm que, ao lado da meridiana de mesma marca, destinada à determinação da hora, seriam os mais importantes instrumentos instalados no Observatório até 1920, apesar de terem sido adquiridos vários outros que permaneceram guardados.

Foi por ocasião da passagem de Vênus pelo disco do Sol, em 1882, quando diversas críticas foram feitas no Parlamento à organização do Observatório, que ocorreu a sua institucionalização. Neste trabalho, coube ao astrônomo belga Luis Cruls (1848-1908), que ocupou a direção em 1886, um importante papel. Além das pesquisas astronômicas, editou os “Anais do Imperial Observatório”, a “Revista do Observatório” e o “Anuário” (única publicação periódica que se edita até hoje). Toda esta atividade científica foi efetuada num prédio pouco sólido. Desde 1871, Emmanuel Liais havia solicitado ao governo a transferência do Observatório para um local mais conveniente aos fins a que se destinava.

No entanto, apesar do interesse de D. Pedro II pela astronomia, o Imperial Observatório lá ficou instalado. Em 1886, Luís Cruls reiterou o pedido, conseguido dois anos mais tarde, que o Parlamento votasse uma verba que permitiu, um ano depois, o início da construção do novo Observatório na fazenda Santa Cruz. Vários instrumentos foram encomendados: uma equatorial astrofotográfica, doação particular do Imperador D. Pedro II (destinada ao mapeamento fotográfico da região do céu que coube ao nosso país), bem como a equatorial Cooke e um grande círculo meridiano Gauthier.

Com a proclamação da República, o Observatório passou para o Ministério da Guerra, quando então a idéia da sua mudança para o local escolhido foi posta à margem. Ocorreu a reforma Benjamim Constant. Créditos novos foram concedidos para a transferência. Os anos se passaram sem que a comissão especial constituída para a escolha do terreno se decidisse. Tanto tempo foi gasto que a verba caducou e não foi mais renovada. Em conseqüência, a equatorial Cooke e a equatorial da Carta do Céu não foram montadas. Como o tubo deste último instrumento era de madeira, acabou destruído pelo cupim e pela chuva que penetrava no galpão (a parte do levantamento da Carta do Céu foi, mais tarde, executada pelos astrônomos argentinos e australianos). A equatorial Cooke quase foi destruída pela ferrugem. Escapou o círculo meridiano Gauthier, instalado provisoriamente numa casa de madeira, tão pequena que era impossível utilizá-lo.

Assim, no morro do Castelo a área era tão limitada que foi impossível aproveitar os novos instrumentos. De fato, por ocasião da passagem do Cometa de Halley, as observações foram efetuadas com o instrumento parado, pois o acompanhamento não funcionava. A necessidade de transferir o Observatório do morro do Castelo para o novo local deu origem a uma comissão que, depois de estudar diversos locais da cidade, escolheu o morro de São Januário, em São Cristóvão. Em 11 de agosto de 1911, o Decreto nº 8.900 desapropriou os terrenos compreendidos entre as ruas General Bruce, General Argolo, Viana (atual General José Cristina) e senador Alencar, a fim de neles ser instalado o Observatório.

Em 1920, terminou a construção do prédio principal do Observatório Nacional, em São Januário, após uma série de contratempos. O projeto arquitetônico é de autoria do astrônomo Mário Rodrigues de Souza (1889-1973) e foi executado pelo engenheiro João Mattos Travassos. A transferência oficial deu-se em 6 de fevereiro de 1921. Para essas novas instalações, foi adquirido o mais moderno instrumental, que se compõe de uma poderosa luneta equatorial Cooke, de 46cm de abertura, onde estão acopladas duas câmaras astrofotográficas Taylor, de 25cm de diâmetro. Em 1929, o astrônomo Alix Corrêa de Lemos (1877-1957), substituto interino de Morize, iniciou um ousado projeto de construção de um observatório astrométrico e astrofísico -- grande sonho de Morize --, que deveria ser instalado fora da cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista as condições já na época desfavoráveis para observações mais apuradas.

Em 1937, chegou a ser redigido o contrato com a firma alemã Carl Zeiss para que fosse encomendado um telescópio de 1,68 metro, um astrógrafo de 40cm de abertura e Ascorecord destinado às medidas astrométricas do novo observatório. Tal encomenda foi cancelada em virtude da Segunda Guerra.

Com readmissão do Brasil à União Astronômica Internacional, em 1961, a idéia de um observatório moderno ressurge das cinzas. Com efeito, na administração de Luiz Muniz Barreto (1925- 2006), em 1972, o projeto de instalação de um observatório astrofísico foi aprovado pela FINEP, quando então foi encomendado o grande refletor “cassegrain-coudé” de 1,60m, principal instrumento instalado em Brasópolis (Minas Gerais), em 1981, que deu origem ao Laboratório Nacional de Astrofísica. Importantes contribuições têm sido realizadas em astronomia, astrofísica, cosmologia e geofísica, graças aos jovens pesquisadores que, em conseqüência da renovação de mentalidade universitária, é atualmente constituída por engenheiros, geofísicos, físicos, matemáticos e astrônomos, dirigidos pelo geofísico Sérgio Luiz Fontes.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo, criador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins, é autor de mais de 85 livros, entre outros do “O Livro de Ouro do Universo” e consultor científico do Observatório Astronômico Monoceros. Consulte: http://www.ronaldomourao.com/





Buraco negro de maior massa é encontrado em galáxia vizinha

Astro foi encontrado ao lado de uma estrela 70 vezes mais maciça que nosso Sol. Formação de uma dupla exótica como essa é desafio para os astrônomos.

Com ajuda de telescópios em órbita e em terra, um grupo de astrônomos encontrou o buraco negro estelar de maior massa já detectado, em uma galáxia praticamente “vizinha” da nossa Via Láctea. O buraco M33 X-7 é 15,7 vezes mais maciço que o nosso Sol. O achado levantou a dúvida entre os cientistas: como um buraco negro tão grande pode ter se formado? Um buraco negro “estelar” surge depois do colapso de uma estrela de grande massa.

O que é mais estranho nesse caso é que o M33 X-7 não está sozinho, mas na órbita de uma gigantesca estrela, 70 vezes mais maciça que o Sol –- a mais maciça companheira de um buraco negro já vista. A enorme estrela também deve se transformar em uma supernova, e, depois disso acontecer, o sistema será formado por dois buracos negros.

A imagem grande mostra uma ilustração de como seria o estranho sistema encontrado. No detalhe, uma combinação entre as imagens em raios visíveis e raios-X da região (Foto: Ilustração: NASA/CXC/M.Weiss; Raio-X: NASA/CXC/CfA/ P.Plucinsky et al.; Ótico: NASA/STScI/SDSU/J.Orosz et al)

Esse exótico sistema binário surpreendeu os astrônomos, que apresentaram seus resultados na edição desta semana da revista científica “Nature”. Os modelos de teoria astronômica atuais não conseguem explicar direito como algo do tipo pode ter se formado. A coisa, por enquanto, não faz sentido.

Para formar um buraco negro com esse, a estrela original deveria ter mais massa do que sua companheira. Uma estrela como essa, no entanto, precisaria ter um raio maior do que a distância que atualmente separa os dois corpos, o que indica que as duas estrelas devem ter dividido uma atmosfera externa só. Mas esse tipo de fenômeno gera uma grande perda de massa no sistema, o que, na teoria, deveria ter impedido a formação de um buraco negro como o que foi detectado. Para fazer sentido, a estrela “mãe” do buraco negro deve ter perdido massa em uma taxa cerca de 10 vezes mais lenta do que a prevista pela teoria.

Se isso for possível e estrelas de grande massa forem mesmo capazes de perder pouca matéria, um dos mais recentes mistérios da astronomia pode começar a fazer sentido: o da supernova SN 2006gy, cuja estrela pode ter tido até 150 vezes a massa do Sol quando explodiu.

A dupla descrita pelos astrônomos na Nature está na galáxia M33, a “apenas” 3 milhões de anos luz da Terra, o que não é uma distância muito grande em termos astronômicos. Os resultados foram encontrados ao combinar dados do Observatório de Raios-X Chandra, da Nasa, em órbita da Terra, e do telescópio Gemini, do Observatório de Mauna Kea, no Havaí .

Fonte: O Globo on Line

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Contando estrelas

O que você acha de participar de um esforço mundial pela preservação do céu? Sim, existem movimentos de preservação das matas, da água, dos animais e também dos céus. Isso porque os locais propícios a observações astronômicas estão rareando cada vez mais. O crescimento populacional nas cidades faz com que elas aumentem de tamanho, avançando sobre terrenos vazios nas suas periferias.

Isso ocorre em cidades, seja no litoral, seja no interior, em todos os lugares do mundo.Observatórios precisam de lugares muito escuros, por isso ficam distantes de aglomerados populacionais. O problema atual é que está ficando cada vez mais difícil encontrar um lugar escuro. Veja só o caso do nosso principal observatório, o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). Ele foi construído no sul de Minas Gerais, próximo à cidade de Itajubá, no alto do Pico dos Dias.Quando eu comecei a freqüentá-lo no início da década de 1990, do alto deste pico era possível avistar o clarão das cidades de São Paulo (250 km de distância), São José dos Campos (uns 100 km) e Campos do Jordão (uns 30 km), além das luzes das cidades em volta.

Hoje em dia, as cidades cresceram tanto e se espalharam pelas proximidades do observatório que já é possível ver as luzes (e não apenas o clarão espalhado no horizonte) de Campos do Jordão. Isso sem mencionar que, durante algum tempo, sabíamos quando havia jogo no estádio municipal de Brazópolis...O assunto é tão sério que, no Chile, um dos locais com as melhores condições para a astronomia do planeta, foi aprovada uma lei de proteção dos céus. As cidades próximas de locais com potencial de abrigar observatórios têm de possuir um programa rigoroso de controle da poluição luminosa. Com o intuito de se mapear o avanço da poluição luminosa é que foi criado o projeto "Star Count", ou contagem de estrelas.


Ele funciona mais ou menos assim: você procura um local onde possa observar o céu e localiza uma determinada constelação. Ao observar esta constelação, você aponta a estrela mais fraca que você conseguir enxergar. Sabendo que estrela é essa, você saberá qual a magnitude-limite (visual) que aquele local tem. Isso dá a noção de quanto de luz espalhada aquele local tem. Para que os resultados tenham mais confiança é preciso repetir esta experiência várias noites, para eliminar a variação natural do céu, como nuvens altas, por exemplo. Outras pessoas analisando o mesmo local também ajuda, pois cada pessoa tem uma acuidade visual diferente. Esta foto foi enviada por Amir Abolfath e mostra um colega participando do projeto. O clarão ao fundo são as luzes de Teerã.Você está interessado? Para maiores detalhes visite o site do projeto:
http://www.windows.ucar.edu/citizen_science/starcount/

Existem instruções em português. Aproveite o feriadão para fazer isso (a campanha vai até o dia 15). Basta sair de casa e olhar para o céu onde você estiver. A idéia é essa. Onde houver alguém disposto a participar, haverá estatística para aquele local. Além do caráter investigativo, o projeto tem um caráter lúdico de reconhecimento do céu. Pode ser uma boa oportunidade para aprender a localização uma constelação no céu.


Fonte: Globo on line

Triângulo Celeste












As figuras mostram o triângulo celeste formado por Vênus, Saturno e Regulus (de Leão) um belo espetáculo a ser visto mesmo a olho nú. No Brasil o fenômeno pode ser visto nas madrugadas.
Fonte: Divulgação

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...