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Estudo realizado no Departamento de Ciências Minerais do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, nos Estados Unidos, mostrou que índios norte-americanos produziam miçangas feitas de rocha do espaço há mais de 2.000 anos. Os objetos analisados foram feitos por nativos da cultura Hopewell e tinham seu material retirado do meteoro Anoka.
Os artesanatos foram encontradas em 1945, em um cemitério Hopewell em Havana, no estado americano de Illinois.Na época foram coletados 24 objetos, mas agora o Smithsonian possui apenas dois artefatos em sua posse.
Tim McCoy, geologista do instituto norte-americano, conseguiu verificar que os objetos possuíam praticamente os mesmo níveis de ferro, níquel e fósforo, além de outros traços de estrutura iguais as do meteoro de Anoka. Nos 1970, os pesquisadores do Smithsonian acreditavam que as peças tinham similiaridades com outras rochas espaciais presentes no museu, mas a tecnologia de análise não era avançada o bastante para confirmar as suspeitas.
O cientista acredita que os fragmentos do meteoro chegaram até os indígenas por meio do Rio Mississipi: pedaços da rocha foram encontrados próximos ao seu leito. O mineral era de fácil manuseio quando esquentado próximo a uma fogueira. A partir de agora, o objetivo é descobrir se outros objetos da mesma época das miçangas também tiveram seu metal vindo do espaço.
NASA will unveil new discoveries about alien oceans in Earth's solar system during a press conference today (April 13) at 2 p.m. EDT (1800 GMT). You can watch live in the window below, courtesy of NASA TV:
These new discoveries will help inform future ocean world exploration — including NASA's upcoming Europa Clipper mission planned for launch in the 2020s — and the broader search for life beyond Earth.
The news briefing participants will be:
Thomas Zurbuchen, associate administrator, Science Mission Directorate at NASA Headquarters in Washington
Jim Green, director, Planetary Science Division at NASA Headquarters
Mary Voytek, astrobiology senior scientist at NASA Headquarters
Linda Spilker, Cassini project scientist at NASA's Jet Propulsion Laboratory in Pasadena, California
Hunter Waite, Cassini Ion and Neutral Mass Spectrometer (INMS) team lead at the Southwest Research Institute (SwRI) in San Antonio
Chris Glein, Cassini INMS team associate at SwRI
William Sparks, astronomer with the Space Telescope Science Institute in Baltimore
ANSA.it - Sono state riprodotte sulla Terra le collisioni cosmiche che creano l'antimateria, teatro dell'esperimento è stato il più grande acceleratore di particelle al mondo, il Large Hadron Collider (Lhc) del Cern. I primi risultati dell'esperimento ideato da ricercatori dell'Istituto Nazionale di Fisica Nucleare (Infn) sono stati presentati alla conferenza Rencontres de Moriond 2017, a La Thuile (Aosta), aiuteranno a capire meglio la natura dell'antimateria e della materia oscura.
L'esperimento chiamato Smog ha fatto scontrare un fascio di particelle cariche spinte ad altissima velocità all'interno dell'acceleratore con una 'nuvoletta' di atomi di elio. Il meccanismo ha simulato un fenomeno che avviene solitamente nello spazio e che è al centro di due importanti esperimenti scientifici, Pamela, installato a bordo di un satellite, e Ams-02, che si trova agganciato alla Stazione Spaziale Internazionale e che indaga la natura della misteriosa materia oscura.
L'idea di Smog nasce da un gruppo di fisici, sia teorici che sperimentali, attivi su progetti di fisica astroparticellare presso le sezioni Infn di Catania, Firenze e Torino, ed è stato proposto alla collaborazione Lhcb. "La misura realizzata - ha detto Oscar Adriani, direttore della Sezione Infn di Firenze - contribuirà a ridurre le incertezze presenti sulla stima degli antiprotoni secondari nei raggi cosmici, dando quindi la possibilità di una interpretazione più chiara delle difficili misure sugli antiprotoni effettuate da Pamela e Ams-02, ed è una chiara dimostrazione dell'importanza della multidisciplinarietà in ambito scientifico".
Image copyrightNASA/CLOUDS AO/SEARCHImage captionOs astronautas precisarão de refúgios para se proteger das condições extremas de Marte
Uma viagem tripulada a Marte não será como aquela feita à Lua pela Apollo 11 em 1969, quando Neil Armstrong e Edwin Aldrin Jr. ficaram apenas algumas horas no satélite antes de voltar para a Terra.
Ir a esse planeta pode exigir passar meses na sua superfície, em meio a temperaturas extremas e a uma atmosfera que não oferece nenhuma proteção adequada contra a radiação cósmica.
Mas o que poderia proteger os astronautas do ambiente de Marte, ser econômico e leve, além de não transformar os refúgios em cavernas escuras?
Para a Nasa, só há um material que reúne todas essas características: o gelo.
Junto com designers, arquitetos e acadêmicos, especialistas da agência especial americana se reuniram na semana passada em um centro de pesquisas em Langley, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, para criar um projeto de casa sustentável para astronautas no "Planeta Vermelho".
"Após um dia dedicado a identificar necessidades, objetivos e dificuldades da missão, avaliamos muitas ideias até chegar à casa de gelo como a melhor solução", disse o chefe de engenharia de Langley, Kevin Vipavetz.
Image copyrightNASA/CLOUDS AO/SEARCH
Translúcido
A "casa de gelo marciana" é um domo inflável coberto por uma camada desse material, o que permite que a estrutura seja leve e fácil de ser armada por robôs antes da chegada da equipe.
Pouco a pouco, os robôs preencherão câmaras com água para formar uma capa capaz de proteger os astronautas.
A água seria extraída de algumas regiões do planeta, que tem reservas hídricas abundantes sob a superfície.
Além disso, ela pode ser convertida em combustível para veículos marcianos e armazenada nesses compartimentos para ser usada pelas equipes seguintes.
Para controlar as temperaturas no interior da base, uma camada de gás de dióxido de carbono será usada para isolar os espaços de convívio da grossa capa congelada - e, assim como a água, esse gás pode ser obtido em Marte.
Image copyrightNASA/CLOUDS AO/SEARCHImage captionUma das vantagens de uma base translúcida é que os astronautas não terão a sensação de estarem em uma caverna
Como a água é composta por hidrogênio, ela é um excelente material de proteção contra a intensa radiação cósmica, segundo os especialistas.
Esses raios são um dos maiores perigos que humanos enfrentarão em Marte, porque podem atravessar a pele e as células do corpo, o que eleva o risco de câncer e outras doenças relacionadas à exposição à radiação.
Além disso, uma casa de gelo teria a vantagem de permitir a passagem de luz, o contribuiria para que o relógio biológico dos astronautas não seja afetado.
"Todos os materiais selecionados para a construção dessa estrutura são translúcidos para que eles tenham a sensação de que estão em uma casa, e não em uma caverna", diz o site da Nasa.
Agora, o desafio será extrair do subsolo de Marte a quantidade de água necessária para criar esse escudo gelado. Estima-se que, com os métodos atuais de extração, seria possível preencher completamente as câmaras da casa em 400 dias.
Caso o desenvolvimento de novas técnicas acelere esse processo, o tamanho das casas poderá ser ampliado.
Foi confirmada a existência das ondas gravitacionais, um fenômeno que representa um importante passo na descoberta do cosmos. Um grupo de cientistas do Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO) anunciou, nesta quinta-feira, que conseguiram confirmar a teoria do físico AlbertEinstein sobre a existência das ondas gravitacionais, capazes de ondular o tecido espaço-tempo, uma parte da Teoria da Relatividade do cientista, de 1916.
Em coletiva de imprensa às 10h30 (13h30 no horário de Brasília), a equipe do LIGO informou que descobriu ondulações no espaço-tempo criadas pela colisão de dois buracos negros maciços, de 150 km de diâmetro cada um, acelerando à metade da velocidade da luz. As ondas criadas a partir da fusão dos dois buracos negros viajam a 1,3 bilhões de anos e esticam o espaço em uma direção e o apertam em outra. Consequentemente, fazem isso também com tudo o que há dentro dele, já que se espalham por todo o universo.
“Nós detectamos ondas gravitacionais” disse David Reitze, diretor executivo do LIGO, recebendo uma demorada salva de palmas de todos na coletiva.
A comunidade científica internacional é unânime em considerar que a descoberta é uma das maiores das últimas décadas e é a favorita para ganhar o próximo Prêmio Nobel. O achado é chamado por alguns de o Santo Graal dos físicos modernos.
Ulrich Sperhake, físico teórico da Universidade de Cambridge que estuda a relação entre ondas gravitacionais e buracos negros, foi taxativo: “Isto nada mais é senão o início de uma nova era na astronomia observacional gravitacional”.
As ondas gravitacionais são pequenas ondulações provocadas no tecido do espaço-tempo quando um corpo com massa é acelerado – resultam dos maiores cataclismas dos universo, como a colisão de dois buracos negros. Ou seja, a teoria pode ser comparada às ondas que se formam na água, quando se atira uma pedra. As ondas em si nunca foram vistas, mas foram previstas por Einstein. Um século depois ainda tinha sido possível demonstrar a teoria do cientista tinha razão.
Image copyrightDuilia de MelloImage captionAstrofísica criou ONG para ajudar crianças pobres a seguir carreira científica
Da BBC - Fazer uma borboleta era o desafio autoimposto à aluna de 12 anos de um modesto colégio de freiras no subúrbio de Brás de Pina, no Rio de Janeiro.
O professor de ciências havia explicado naquela tarde como uma lagarta virava uma borboleta. Disposta a testar a ideia, a menina colocou um casulo dentro de um vidro de maionese, fez uns furinhos na tampa e esperou. Nasceu uma borboleta, como dissera o professor. Mas ela tinha as asas amassadas e não conseguia voar.
Arrasada, a menina cobrou explicações do professor. "Eu não sei o que aconteceu", ele disse. "Mas talvez tenha faltado água", arriscou.
Ela arrumou outro casulo no quintal e o depositou com cuidado no vidro de maionese. Colocou um pouco de água lá dentro e, ai sim, fechou com a tampa furada.
"Deu certo, eu consegui fazer uma borboleta", conta Duília de Mello. "Eu não duvidei da palavra dele, nem aceitei: eu fui lá, testei e consegui provar. Acho que foi a primeira vez que a minha curiosidade científica foi despertada", conta ela que, hoje, aos 50 anos, é astrofísica da Nasa, a agência espacial americana.
Nada mal para a menina de origem humilde, nascida em Jundiaí, no interior de São Paulo, e criada no subúrbio do Rio por um pai alcoólatra e uma mãe zelosa.
Agora, para que cada vez mais crianças consigam superar as adversidades e se interessar por carreiras científicas, Duilia está criando a ONG Mulher das Estrelas (http://mulherdasestrelas.com), reunindo uma rede de mentores de diferentes especialidades, como física, matemática e robótica.
Image copyrightDuilia de MelloImage captionProjeto quer estimular clubes de ciências e competição entre escolas
A astrônoma já conta com a ajuda de 20 profissionais. A ideia é estimular a criação de clubes de ciências e as competições científicas entre as escolas, com a curadoria à distância desses especialistas, para fazer com que crianças de origem pobre por todo o Brasil possam ganhar asas e mirar estrelas.
"Quero poder ajudar às pessoas que não tiveram tanta sorte quanto eu, ou que não tiveram uma mãe tão empenhada como a minha", diz ela, em entrevista por telefone, de Washington.
Informalmente, ela afirma já fazer essa espécie de mentoria à distância. "Muitos desses estudantes me acham na internet, me mandam mensagens. Eu respondo a todas elas, explico como é a profissão."
Perdidos no Espaço
Já na pré-adolescência Duília foi fisgada pelo fascínio da ficção científica. Era fã de Jornada nas Estrelas e Perdidos no Espaço, clássicos da televisão dos anos 60.
"Sempre fui apaixonada pelo Universo e, desde pequena, queria entender como ele funcionava tão bem sendo tão complexo", contou.
"No fim dos anos 1970 eu vivia vidrada nas descobertas das naves espaciais da Nasa, Pioneer 10 e 11, que estavam visitando Júpiter e Saturno. Naquela época não tínhamos internet, e o acesso à informação era bem restrito, principalmente para quem era de classe média baixa, como nós. Lembro de uma revistaManchete com uma grande reportagem sobre Júpiter. Fiquei impressionadíssima."
Image copyrightDuilia de MelloImage captionCientista era fascinada por ficção científica na adolescência
Enquanto o pai de Duília lutava contra o alcoolismo e tentava ganhar algum dinheiro para sustentar a família - primeiro como caminhoneiro, depois com um negócio de locação de mesas de totó (pebolim) -, a mãe dedicou a vida a fazer com que os quatro filhos estudassem. E conseguiu.
"Mas quando eu dizia que queria fazer astronomia, todo mundo falava que eu era maluca, inclusive minha mãe", lembra Duília.
Muitos professores tentaram convencê-la a seguir carreiras "mais sólidas", como medicina ou engenharia. Mas foi um professor de História quem acabou batendo o martelo: "É melhor ela ser uma astrônoma feliz que uma engenheira frustrada."
Após a graduação na UFRJ, Duília fez um mestrado no Instituto Nacionais de Pesquisas Espaciais (INPE) e um doutorado na USP.
Carreira na Nasa
Há 13 anos ela trabalha na Nasa - o que acabou acontecendo como um desdobramento natural de seus trabalhos no mestrado e no doutorado - quando foi cursar o pós-doutorado no Instituto do Telescópio Espacial Hubble.
Ela é pesquisadora do Goddard Space Flight Center (centro que gerencia as comunicações com os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional) e especialista na análise de imagens do telescópio Hubble.
Na Nasa, Duília foi responsável pela descoberta da supernova SN 1997D e participou também da descoberta das chamadas bolhas azuis - as estrelas órfãs, sem galáxias.
"Em 2008, detectamos umas bolhas azuis, estrelas solitárias que vivem entre as galáxias, que são formadas fora das galáxias. Tanto podem ser pequenos aglomerados de estrelas como galáxias anãs, que podem acabar engolidas pelas galáxias vizinhas. Enfim, é um mecanismo interessante de pensar a evolução das galáxias" explica Duília.
Em 2013 ela foi escolhida como uma das dez mulheres que mudam o Brasil em ranking elaborado pela Barnard College, da Universidade de Columbia (EUA).
Qualcosa cadrà in picchiata sulla Terra il 13 novembre, si tratta di un oggetto di piccole dimensioni (circa due metri) e probabilmente è destinato a disintegrarsi nell'atmosfera senza mai arrivare a toccare la superficie del nostro pianeta. Ma nonostante WT1190F (che è la sigla attribuita a questo Neo, near earth object) sia stato osservato per la prima volta dal Catalina Sky Survey nel febbraio 2013, ancora non è dato sapere cosa sia. Non si tratta di un asteroide perché la sua densità è troppo bassa, potrebbe invece essere un "rifiuto spaziale", come per esempio il componente di qualche razzo lanciato anni fa (magari anche un residuo della gloriosa "corsa allo spazio") e poi rimasto in orbita attorno alla Terra. Gli esperti del Neo Coordination Centre dell'Esa hanno calcolato che possiede un'orbita molto eccentrica e compie una rivoluzione ogni tre settimane. WT1190F ora è destinato a precipitare verso la Terra ma dall'Esa assicurano che non ci sono rischi per la popolazione. Qualsiasi cosa rimanga dell'oggetto, infatti "cadrà nell'oceano a circa 100 chilometri dalla costa meridionale dello Sri Lanka". Il rientro in atmosfera è previsto per le 7.19 ora italiana, 11.49 ora locale. La sua massa non è sufficiente a rappresentare rischi ma sarà di certo uno show da non perdere perché, per alcuni secondi, si potrà ammirare una spettacolare palla di fuoco nel cielo diurno
Ilustração mostra as assinaturas energéticas dos neutrinos detectados pelo observatório IceCube tendo ao fundo o laboratório da colaboração instalado no Polo Sul Foto: IceCube Collaboration
RIO – Novos dados acumulados pelo Observatório de Neutrinos IceCube, na Antártica, confirmaram a existência de versões superenergéticas destas fugidias partículas subatômicas emitidas por fontes dentro e fora da nossa galáxia, a Via Láctea. Chamados coletivamente de neutrinos cósmicos, eles são produzidos por alguns dos mais poderosos fenômenos astrofísicos conhecidos, como buracos negros, explosões de supernovas e pulsares, e a detecção de 21 deles nos últimos anos abre caminho para um novo ramo na astronomia para o estudo destes objetos e seu papel na evolução do Universo.
Com uma massa ínfima e sem carga elétrica, os neutrinos praticamente não interagem com a matéria comum. Assim, apesar de serem gerados em enormes quantidades pelos mais variados processos físicos, desde a fusão nuclear que alimenta o Sol aos raios que cortam a atmosfera terrestre, a cada segundo trilhões deles atravessam nossos corpos e o próprio planeta sem deixar rastros de sua passagem. Ocasionalmente, no entanto, uns poucos neutrinos se chocam com outras partículas subatômicas, e é tirando proveito destas raras oportunidades que o IceCube os detecta.
Instalado na Antártica desde 2010, o observatório, o maior do tipo no mundo, é composto por 86 cabos com 5.160 sensores óticos do tamanho de bolas de basquete enterrados entre 1.450 e 2.450 metros de profundidade em um bloco de gelo com um volume de um quilômetro cúbico, além de outros 324 sensores em tanques na superfície do Polo Sul.
Com esta configuração, o IceCube consegue ver os tênues e fantasmagóricos flashes de luz azul produzidos quando um neutrino por acaso colide com partículas de uma molécula de água do gelo, gerando uma cascata de partículas carregadas em um fenômeno conhecido como Radiação de Cherenkov.
Mas detectar neutrinos é apenas o primeiro passo na busca pelas suas versões superenergéticas, já que estas partículas existem em pelos menos três diferentes “sabores” (chamados neutrinos do elétron, neutrinos do múon e neutrinos do tau) com variados níveis de energia dependendo do fenômeno que os produziu. Tanto que dos mais de 35 mil neutrinos registrados pelo IceCube entre maio de 2010 e maio de 2012, apenas 28 tinham uma assinatura energética indicativa de serem provenientes de fontes de fora do Sistema Solar, ou seja, neutrinos cósmicos. Dois deles inclusive, apelidados “Ernie” e “Bert” (personagens do programa infantil de TV “Vila Sésamo” conhecidos no Brasil como Ênio e Beto), tinham tamanha energia que os cientistas ainda não sabem que processo astrofísico poderia tê-los produzido.
Assim, neste novo estudo, os cientistas do IceCube – uma colaboração internacional de instituições dos EUA, Alemanha, Suécia, Bélgica, Suíça, Japão, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Reino Unido, Coreia do Sul e Dinamarca – se focaram em neutrinos cujos cálculos de trajetória indicavam estarem vindo do céu no Hemisfério Norte, usando a própria Terra como “filtro” para diminuir o “ruído” produzido por fontes de versões menos energéticas destas partículas, assim como por outras mais “interativas” do que eles.
- Procurar por neutrinos do múon que atingem o detector atravessando a Terra é a maneira que o IceCube deve fazer a astronomia de neutrinos, e foi isso que ele nos entregou – comemora Francis Halzen, professor de física da Universidade de Wisconsin em Madison, EUA, e cientista-chefe da colaboração, que publicou artigo que relata as novas detecções nesta quinta-feira no periódico científico “Physical Review Letters”. - Isto é o mais próximo que vamos chegar de uma confirmação independente com um único instrumento.
Segundo os pesquisadores, os níveis de energia exibidos pelos neutrinos vindos do céu no Hemisfério Norte são similares aos observados dos neutrinos superenergéticos detectados do Hemisfério Sul, o que sugere que muitas de suas fontes estão mesmo além da Via Láctea. Isso porque se um número significativo destas fontes estivesse dentro da nossa galáxia, o IceCube teria detectado uma grande quantidade de neutrinos de alta energia emanando do plano da Via Láctea, região onde boa parte delas estaria.
- O plano da galáxia é onde estão as estrelas, é onde os raios cósmicos são acelerados, então seria de onde esperaríamos ver mais fontes – explica Albrecht Karle, também professor de física da Universidade de Wisconsin em Madison e autor sênior do artigo no “Physical Review Letters”. - Os neutrinos de mais alta energia que observamos, porém, vêm de direções distribuídas ao acaso, numa sólida confirmação de que a descoberta de neutrinos cósmicos de além da nossa galáxia é real.
Mas apesar de os traços de luz deixados pela Radiação de Cherenkov permitirem apontar a região do céu de onde os neutrinos superenergéticos vieram com uma precisão razoável, de menos de um grau, o IceCube ainda não detectou um número significativo deles sendo emitidos por uma única fonte. Assim, aumentar a sensibilidade dos sensores e instrumentos, o volume de detecções e os métodos para analisá-las serão fundamentais para de fato transformar a chamada astronomia de neutrinos, trazendo informações que podem percorrer milhões de anos-luz e atravessar estrelas, planetas e nuvens de poeira e gás sem sofrerem alterações, em uma realidade.
- Estes neutrinos podem melhorar nossa compreensão sobre alguns do mais poderosos processos do Universo - destaca Karle. - Eles podem nos contar sobre propriedades fundamentais da física de partículas e a origem e natureza da matéria escura.
Jonathan AmosCorrespondente de Ciência da BBC News
A imagem de 7 de julho sobrepõe registros de duas câmeras da New Horizons
Após viajar nove anos e quase cinco bilhões de quilômetros, a sonda espacial New Horizons começou nesta semana a aproximação final a Plutão, revelando as melhores imagens já feitas de um dos planetas mais distantes do Sistema Solar.
A Nasa (agência espacial norte-americana) divulgou nesta quarta-feira o registro feito no dia anterior pela New Horizons, quando a sonda estava a "apenas" oito milhões de quilômetros de Plutão.
Nesta quinta, a sonda chegaria a seis milhões de quilômetros, rumo ao ponto de maior aproximação (12,5 mil km), passagem histórica prevista para 14 de julho.
Essa última imagem foi o primeiro registro enviado após a sonda entrar inesperadamente em modo de segurança, no último dia 4, e perder o contato com a Terra.
O "rosto" de Plutão visto na imagem é, em grande parte, o que será examinado de perto na próxima semana. Inclui uma ampla área escura próxima à linha do Equador de Plutão, conhecida informalmente por cientistas como "a baleia", e uma área clara em formato de coração com cerca de 2.000 km.
Na aproximação final, a sonda New Horizons ficará a apenas 12,5 mil km da superfície de Plutão.
Sua câmera de alta resolução Lorri (Long Range Recconnaissance Imager) deverá então captar imagens de resolução até 500 vezes superior aos últimos registros.
A câmera Lorri é responsável pela imagem mostrada nesta página, mas as informações sobre cores foram fornecidas pela outra câmera da sonda, a Ralph.
"As imagens ainda estão um pouco borradas, mas são, de longe, as melhores que já vimos de Plutão, e vão só melhorar", afirmou John Spencer, do instituto de pesquisa SxRI (Southwest Research Institute), de Colorado, um dos parceiros da Nasa na empreitada.
"Nesse momento as imagens revelam apenas que Plutão é um planeta realmente esquisito. Ele tem algumas áreas muito escuras, outras extremamente claras, e não sabemos nada sobre o que são ainda", afirmou Spencer ao programaNewshour, da BBC.
O astrônomo Alex Parker, da equipe da New Horizons, publicou essa ilustração no Twitter
Spencer e seus colegas acreditam que a área mais clara pode estar coberta por monóxido de carbono congelado e que a mancha escurecida possa ser um depósito de hidrocarbonetos, queimados na atmosfera de Plutão por raios cósmicos e radiação ultravioleta.
Mas por ora tudo não passa de palpite.
"Teremos registros 500 vezes melhores na próxima terça, quando teremos nossa passagem mais próxima", disse Spencer.
Na aproximação final, a New Horizons estará viajando a quase 14km por segundo – muito rápido para entrar em órbita.
A sonda fará um voo automático de reconhecimento, coletando o máximo de imagens e dados ao passar pelo planeta de 2.300 km de diâmetro e suas cinco luas conhecidas: Charon, Styx, Nix, Kerberos e Hydra.
O sistema de Plutão tem cinco luas conhecidas
A missão ocorre durante o 50o aniversário da primeira passagem bem sucedida de uma sonda norte-americana por Marte, feita pela Mariner 4. A New Horizons irá coletar 5.000 vezes mais informações do que a Mariner conseguiu quando passou pelo planeta vermelho.
Um dos grandes desafios da missão a Plutão é enviar toda a informação de volta até a Terra. A distância é enorme, o que torna o ritmo de envio dos dados muito lento. Serão ao menos 16 meses para encaminhar todos os dados científicos a serem reunidos nos próximos dias.