segunda-feira, 14 de julho de 2008

Explosão misteriosa de bólido extraterrestre na Sibéria faz cem anos

Em série de três artigos, astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão relata o episódio.Saiba o que aconteceu, o que se apurou e quais são as hipóteses que explicam o ocorrido.

Ilustração mostra explosão de Tunguska, na Sibéria (Foto: William K. Hartmann)

Há cem anos, na manhã de 30 de junho de 1908, às 7h14, hora local, uma enorme explosão ocorreu, após uma bola de fogo ter sido vista atravessando o céu. Não foram encontrados vestígios de um meteorito, mas uma onda de choque devastou toda uma região desabitada de florestas de taiga pantanosa que permanece congelada durante cerca de oito meses do ano, nas proximidades do rio Tunguska, cerca de 800 quilômetros a noroeste do lago Baikal, na Sibéria Central. Num raio de 30 quilômetros, todas as árvores foram destruídas. Ouviu-se o ruído a mais de mil quilômetros. Uma estranha luminescência foi observada durante a noite em inúmeras regiões. Ao longo da Europa, registraram-se ondas sísmicas semelhantes às de um terremoto e perturbações no campo magnético terrestre. Os meteorologistas, com seus microbarógrafos, conseguiram determinar que as ondas de choque, oriundas da explosão, deram no mínimo duas voltas ao redor da Terra. Na Ásia e na Europa, as noites se tornaram luminosas e os pores-do-sol assumiram um forte colorido vermelho. Na realidade, o denominado Evento de Tunguska foi uma explosão que ocorreu na atmosfera acima de um sítio com as coordenadas geográficas 60°55’ N, 101°57' L, próximo ao rio Podkamennaya Tunguska, na província de Evenkia, na Sibéria. Mais tarde, a sua potência foi estimada entre 10 e 15 megatons. O episódio provocou a destruição de cerca de 60 milhões de árvores numa área estimada em 2.150 quilômetros quadrados. Se o objeto responsável pela explosão tivesse atingido a Terra algumas horas mais tarde, ou melhor, explodido sobre uma área mais densamente povoada da Europa –- provavelmente sobre a cidade de São Petersburgo -–, em lugar de uma região de baixa densidade populacional, como Tunguska, possivelmente teria provocado uma enorme catástrofe, com uma maciça perda de vidas humanas.

O que se viu
Por volta das de 7 horas e 15 minutos da manhã, os tungues nativos e os colonos russos das colinas noroeste do lago Baikal observaram uma enorme bola de fogo que se deslocava no céu, quase tão brilhante como o Sol. Alguns minutos mais tarde, um intenso clarão iluminou metade do céu, acompanhado por uma onda choque que, além de golpear as pessoas, quebrou as vidraças das janelas das casas situadas num circulo de cerca de 650 km de raio. A explosão foi registrada na maior parte das estações sísmicas de toda a Eurásia, assim como produziu fortes oscilações na pressão atmosférica suficientemente intensas para serem detectado pelo barógrafos que tinham sido inventados recentemente na Grã-Bretanha. Nas semanas que se seguiram à explosão, o céu noturno na Europa e na Rússia Ocidental apresentou uma luminosidade tão brilhante que sua luz era suficiente para que as pessoas pudessem ler um jornal. Nos Estados Unidos, o Observatório Astrofísico Smithsonian e o Observatório de Monte Wilson detectaram uma redução da transparência atmosférica que durou vários meses. Surpreendentemente, na época, houve pouca curiosidade científica sobre o impacto; talvez em virtude da dificuldade em alcançar uma região tão isolada como as tungas siberianas, onde o fenômeno tinha sido observado. A primeira explicação foi a de que um enorme meteoro, com um peso superior a um milhão de toneladas, havia caído em alguma região das florestas siberianas. Mas essa não seria a última palavra sobre o assunto... guska, na Sibéria (Foto:
William K. Hartmann)

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo, autor de mais de 85 livros, dentre eles "Nas fronteiras da Intolerância: Einstein, Hitler, a Bomba e o FBI". É consultor técnico do Observatório Monoceros

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Astronautas retiram explosivo de nave espacial


Astronauta em ação (Foto: Nasa TV/Reprodução)
Dois astronautas da Estação Espacial Internacional (EEI) fizeram uma caminhada espacial na última quinta-feira, para remover uma trava explosiva da nave russa Soyuz, que está acoplada à Estação Espacial. Recebendo instruções de controladores da NASA, eles desconectaram a trava explosiva com sucesso da nave, que os levará de volta à Terra. A missão foi arriscada. Uma eventual explosão da trava - comparáel a de um rojão - poderia ferir ou até representar um risco maior aos astronautas. Mas engenheiros da missão russa asseguraram que a retirada dela garantiria uma volta segura à Terra.
Da BBC

Maior estrela da galáxia 'vale' mais de 110 sóis

Um recorde galáctico

Postado por Cássio Barbosa em 11 de Julho de 2008 às 10:25 , Globo on line


Nessas últimas semanas, nas quais a gente vem acompanhado as atividades da sonda Phoenix aqui no G1, uma marca importante foi batida e passou meio que despercebida: o recorde de massa para uma estrela.



Em um post mais antigo eu falei de uma estrela no aglomerado de Pismis 24 que ousava exceder o limite estatístico de 150 massas solares para uma estrela. Limite estatístico, pois essa estimativa foi feita projetando-se a maior massa possível de uma estrela, baseando-se em dados conhecidos de aglomerados propícios para formar esse tipo de astro.

A partir destas projeções, chegou-se ao valor de 150 massas solares. Isso significa que encontrar uma estrela com muito mais do que 150 massas solares deve ser extremamente improvável, uma pequena flutuação em torno deste valor deve ser possível, mas 200 massas solares para a estrela de Pismis 24 não dava.

Essa questão foi resolvida, literalmente, mostrando-se que essa tal estrela é naverdade um sistema com três estrelas. Ainda que duas delas sejam muito parecidas e a terceira tenha menos massa que as outras duas, nenhuma delas deve sequer ser mais de 100 massas solares. Na melhor das hipóteses, deve ser algo do tipo “duas de 80 e uma de 40″.

Com isso, o título de estrela mais massuda* estava com WR20a, um sistema duplo formado por estrelas de 82 e 83 massas solares. Um outro sistema duplo, WR21a, é por vezes apontado como tendo a estrela recordista (87 massas solares), mas nesse caso a medição não é tão confiável.

A estrela mais massuda da galáxia está no aglomerado NGC 3603, que por sua vez está (ou estava) em um dos braços que sumiram da Via Láctea. A estrela faz parte do sistema binário conhecido como NGC 3603 A1, e seus componentes devem ter 116 e 89 massas solares cada um.

As medições, nesse caso, foram feitas com um dos melhores equipamentos em Terra, o Telescópio Muito Grande (VLT, em inglês) operado por um consórcio europeu e localizado no Chile. Os resultados foram obtidos usando-se a boa e velha dinâmica newtoniana — aquela mesma que a gente aprende no ensino médio e depois vê com mais detalhesnos primeiros semestres dos cursos de física, matemática e engenharia.

Ainda que exista uma margem de erro relativamente grande, em torno de 30 massas solares, no caso mais extremo (e mais improvável) a estrela mais massuda deve ter então 86 massas solares, e isso ainda a deixa detentora do recorde galáctico. Com tudo isso, ainda temos o tal limite estatístico preservado, quer dizer, ainda aguardamos uma evidência direta de alguma estrela com mais de 150 massas solares.

*Nota: o termo correto é esse mesmo. Massivo não existe e maciço não esta 100% certo e, como eu sei que uma colega anda pegando no meu pé só por causa disso, vamos gastaro português correto.

Cientistas descobrem sinal de água em vidro lunar

A análise de contas de vidro colorido encontradas na Lua pelas missões Apollo 15 e Apollo 17, realizadas em 1971 e 1972, revelam que o interior do satélite foi rico em água até cerca de 3 bilhões de anos atrás. A descoberta, apresentada na edição desta semana da revista científica "Nature", contradiz a idéia, mais comumente aceita, de que a Lua já surgiu desidratada, e oferece uma explicação para a origem dos depósitos de gelo que parecem existir em crateras localizadas nos pólos do satélite. "O que nossas descobertas indicam é que ou a água não se perdeu por completo no grande impacto que formou a Lua, ou que ela voltou a se acumular por meio de material de meteoritos, nos primeiros 100 milhões de anos da formação do satélite", diz o principal autor do estudo, o argentino Alberto Saal, atualmente na Universidade Brown, nos EUA. Embora as amostras sejam antigas, a análise atual só foi possível graças a desenvolvimentos tecnológicos recentes. A teoria mais aceita para a origem da Lua diz que o satélite surgiu após a colisão de um outro astro, do tamanho de Marte, com a Terra primitiva, há mais de 4 bilhões de anos. "A idéia é que o material expelido pelo impacto formou um anel, que aos poucos se agregou para formar a Lua", explica Saal. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

terça-feira, 8 de julho de 2008

Ariane-5 leva dois satélites de comunicação para a órbita da Terra

Lançamento ocorreu a partir da base da Guiana Francesa.Serão colocados em órbita os satélites ProtoStar I e o BADR-6.

Depois de alguns adiamentos, o foguete europeu Ariane-5 lançou dois satélites a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa. A missão é colocar em órbita o ProtoStar I, a ProtoStar, e o BADR-6, da Arabsat, ambos equipamentos destinados à transmissões televisivas. (Foto: Agência Espacial Européia/AFP)

sábado, 5 de julho de 2008

Nave revela segredos de Mercúrio



Imagem de Mercúrio divulgadas pela NASA. Vulcões estariam nas origens do planeta/ Reuters
Rio de Janeiro, O Globo - Um intenso vulcanismo e não o impacto de meteoritos estaria nas origens de Mercúrio, um planeta ainda repleto de mistérios para os cientistas. Uma série de onze estudos publicada na quinta-feira na revista "Science" revelou, pela primeira vez, a composição de boa parte da atmosfera e da superfície de Mercúrio, de acordo com matéria publicada nesta sexta pelo jornal O Globo. O planeta mais próximo do Sol é também um dos mais difíceis de serem abordados por uma nave em razão de suas temperaturas elevadas e sua órbita curta e irregular. Até hoje, apenas uma missão, há mais de 30 anos, havia se aproximado de Mercúrio: a Mariner 10, que sobrevoou três vezes o planeta entre 1974 e 1975. Agora, a Messenger (também da Nasa) se encontra nas proximidades de Mercúrio. Lançada em 2004, ela sobrevoou o planeta em janeiro deste ano. Foram os dados obtidos nessa missão que forneceram a base para os estudos divulgados . De acordo com especialistas da Universidade de Michigan, que estudaram os dados, a atmosfera de Mercúrio contém silicatos, sódio, enxofre e até íons de água. Os instrumentos da Messenger revelaram ainda que embora Mercúrio contenha muito ferro em seu interior, esse metal é relativamente escasso na superfície.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Sistema Solar é 'manco', diz estudo com sonda que saiu dele

Resultados são da sonda Voyager 2, que rompeu as fronteiras do sistema.Eles mostram que a influência do Sol não é esférica, mas estranhamente achatada.

O Sistema Solar não tem forma arredondada. Na verdade, ele é assimétrico e apresenta abaulamento, conforme pode ser deduzido dos dados enviados por uma nave espacial que viaja pelo espaço há mais de 30 anos, e cujos resultados são publicados pela revista científica "Nature" em sua última edição.








Ilustração das sondas Voyager 1 e 2, em suas rotas de saída do Sistema Solar (Foto: Nasa)

Dirigida por Edward Stone, catedrático de Física no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Estados Unidos), a pesquisa está concentrada no estudo da heliosfera, que é uma espécie de bolha magnética criada pelo vento gerado pelo Sol e que envolve nosso sistema planetário. Segundo os dados enviados pelo Voyager 2, a nave atravessou a fronteira do Sistema Solar em um local mais próximo ao Sol do que o previsto, o que indica a existência de uma irregularidade na heliosfera. Os cientistas deduzem que a nave saiu do Sistema Solar por uma grande deformação da heliosfera que poderia ser explicada pelo efeito de um campo magnético de caráter local que a atrairia em direção ao Sol. O Voyager 2 partiu da Terra em 1977 com a missão de estudar os planetas de Júpiter e Saturno. Após finalizar sua tarefa, chegou a visitar Urano e Netuno, antes de sair do Sistema Solar, de onde continua enviando informações à Terra. Atualmente, o Voyager 2 resiste em condições de frio e escuridão; diante da ausência de energia solar, a nave se alimenta de baterias nucleares que produzem energia limitada.
Da EFE

Cientistas descobrem fenômeno que confirma teoria de Einstein

Observação de dois pulsares confirmou previsões da relatividade geral.Astrônomos confirmam que a teoria funciona mesmo em gravidade intensa.



O ofusque de duas estrelas de nêutrons a 1.700 anos luz da Terra confirmou um efeito cósmico citado pelo físico alemão Albert Einstein há quase um século em sua teoria da relatividade, segundo um estudo divulgado na edição desta semana revista "Science".Os cientistas utilizaram o telescópio da Fundação Nacional das Ciências para realizar durante quatro anos um estudo sobre duas estrelas de nêutrons chamadas pulsares, que emitem ondas de rádio.Dentre quase 2 mil pulsares identificadas, este é o único caso em que as estrelas giram ao redor uma da outra, explicou René Breton, da Universidade McGill, em Montreal (Canadá).Além disso, o plano de sua órbita está perfeitamente alinhado com a visão do telescópio desde a Terra de modo que, quando uma passa por trás da outra, o gás ionizado que a rodeia ofusca o sinal do pulsar.Quando isto ocorre, a magnestosfera de um pulsar absorve as ondas emitidas pelo outro, permitindo aos astrônomos determinar sua orientação espacial.


Em 1915, Einstein profetizou que em um sistema de dois objetos de massas enormes, como estas estrelas de nêutrons, a força gravitatória de uma, além de seu movimento de rotação, modificaria o eixo de rotação da outra em um fenômeno chamado na astronomia de precessão."Acho que se Einstein vivesse, estaria feliz com estes resultados", indicou Michael Kramer, do Centro de Astrofísica de Jodrell Bank da Universidade de Manchester.Além de Breton e Kaspi, participaram do estudo outros cientistas do Canadá, Reino Unido, Estados Unidos e França.


Da EFE
Imagem de Arquivo

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Marte, suolo compatibile con la vita

Annuncio degli scienziati che seguono la missione della sonda Phoenix". Un tipo di tereno simile a quello che si troverebbe nel vostro giardino" . Marte, suolo compatibile con la vita"Si potrebbero piantare asparagi". Il pianeta ricco di sostanze "nutrienti per sostenere la vita passata, presente e futura"Nell'emisfero Nord il cratere più grande del sistema solare. "Impatto cosmico"



Il braccio meccanico della sonda Phoenix al lavoro e un campione del suolo di Marte.


Los Angeles- Su Marte esistono le condizioni per la vita. L'annuncio è stato dato dagli scienziati della Nasa responsabili della missione della sonda Phoenix, giunta sul pianeta dopo un viaggio di dieci mesi. Sommato a quello delle tracce di acqua individuate nel metro cubo di suolo raccolto dal braccio robotizzato e analizzato dalla sonda apre la strada a scenari che fino ad oggi era solo possibile ipotizzare. E nell'emisfero settentrionale sono state individuate le tracce di un gigantesco impatto cosmico. "Abbiamo trovato quelli che sembrano essere i requisiti base, cioè le sostanze nutrienti per sostenere la vita nel passato, nel presente o nel futuro", ha dichiarato lo scienziato Sam Kounaves. Questo, però non significa che esista la prova della esistenza in passato di vita sul Pianeta Rosso. "E' il tipo di suolo che potrebbe essere trovato nel vostro giardino, ricco cioè di sostanze alcaline - ha aggiunto lo scienziato - E' un suolo dove potrebbero crescere degli asparagi. Sono dati molto eccitanti per noi". Marte, però, ha in serbo molte altre sorprese. Le sonde della Nasa Mars Reconnaissance Orbiter e Mars Global Surveyor hanno fotografato quello che potrebbe essere il cratere più grande del nostro sistema solare. Stando a quanto riferito dagli scienziati del Jet Propulsion Laboratory dell'Agenzia spaziale statunitense. Il gigantesco cratere è situato nell'emisfero settentrionale di Marte, chiamato conca Boreale, e copre circa il 40 per cento della superfice del pianeta. Potrebbe essere stato creato da un impatto cosmico risalente a 3,9 miliardi di anni fa, vale a dire all'inizio della formazione del sistema solare. E' largo 8.500 chilometri ed è quattro volte più grande del cratere risultato da un'altra collisione, chiamato Hellas, nell'emisfero meridionale di Marte. "Sono dati impressionanti - ha affermato l'esperto della Nasa Michael Meyer - che hanno implicazioni non soltanto in relazione all'evoluzione di Marte ma anche della Terra". Dati che potrebbero aiutare a risolvere un grande mistero: perché i terreni degli emisferi di Marte sono così differenti?


La Repubblica , 27 giugno 2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Abundância de planetas na galáxia é boa notícia para a busca de vida ET

Pesquisas indicam que há muitos astros como a Terra em torno de estrelas próximas.Novas técnicas e missões não-tripuladas devem facilitar detecção desses corpos.

Para aqueles de nós que ainda sentem falta do fim da franquia “Star Trek” e da sua visão do cosmos como uma boate tremendamente multicultural e por vezes letal, o anúncio na semana passada de que muitas estrelas em nossa galáxia estão circundadas por planetas do tamanho da Terra foi, francamente, de outro mundo.

Busca por vida alienígena ficou um pouco mais palpável (Foto: Serge Bloch/NYT)
Os novos planetas detectados estão perto demais de seus pais estelares para ter chances de abrigar até mesmo vida microbiana. Apesar disso, a descoberta deu um impulso aos astrônomos e pesquisadores de vida alienígena. Para começar, os planetas são bastante compactos, o que é bom. Na década passada, astrônomos encontraram algo como 250 planetas extra-solares, mas a maioria era proibitivamente jupiteriana: sacos de gás celestial provavelmente sem superfície sólida e com centenas de vezes a massa da Terra. No novo relatório, Michael Mayor e seus colegas do Observatório de Genebra dizem ter encontrado 45 planetas que são apenas algumas vezes tão sólidos quanto nossa querida base azul, significando que eles, como a Terra, provavelmente são feitos de rocha. O cálculo é proporcionalmente impressionante: uma em três estrelas pesquisadas mostrou sinais de abrigar planetas sólidos, e outros pesquisadores realizando estudos parecidos dizem que o número pode estar mais perto de um para dois. E embora os 45 planetas na lista de Genebra sejam todos “adoradores de estrelas”, como foi colocado por um astrônomo, com períodos orbitais de 2 a 50 dias – até mesmo Mercúrio precisa de quase três meses para circunavegar o Sol –, pesquisadores estão confiantes de que outros planetas de rocha ainda serão descobertos a distâncias de seus sóis comparáveis com as da Terra.

Viés em favor dos maiores
Sara Seager, uma teórica planetária do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, diz que astrônomos caçam planetas detectando intrigantes vibrações induzidas por eles em suas estrelas hospedeiras, um método que detecta seletivamente os grandes demais ou perto demais. Apesar disso, diz ela, “o fato é que, assim que os astrônomos começaram a procurar por planetas de pouca massa, eles encontraram um monte, e isso representa um grande avanço”. Apenas imagine o que uma análise mais detalhada revelaria.

Para alguns teóricos, os novos resultados garantem virtualmente a existência de outros mundos parecidos com a Terra. “Imagine que você tem uma tribo, e os membros mais notáveis são os guerreiros, porque são aventureiros, vagueiam pelos arredores, e são os primeiros a serem vistos”, diz Douglas N. C. Lin, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz. “Mas você sabe que para cada guerreiro, há uma família inteira por trás.” Lin continuou: “Assim que extrapolar os guerreiros, você vê o tamanho que pode ter a população no fundo da floresta, então a presença dessas super-Terras a uma curta distância implica que há conjuntos de outros planetas mais ao longe". Planetas potencialmente agradáveis. “Eu imaginaria que uma fração significativa de estrelas como o Sol, talvez mais de 10%, tenha planetas habitáveis a seu redor,” diz Lin. Habitáveis ou abomináveis, não se pode escapar dos planetas. “Quando uma estrela é formada, ela provavelmente terá planetas”, diz Seth Shostak, cientista-sênior no Instituto SETI em Mountain View, Califórnia. “Eles são como aquelas facas dadas gratuitamente quando se compra uma churrasqueira.”

Colapso benévolo
Quando uma nuvem de poeira e gás sofre um colapso para criar uma nova estrela, girando cada vez mais rápido à medida que encolhe, forças concorrentes à da gravidade, pressão e rotação causam parte de seu achatamento em forma de disco – como a saia de uma patinadora voa em círculos quando ela coloca seu braço para trás para um giro. Os planetas, por sua vez, se condensam a partir da poeira, gás e gelo daquele disco central, em seqüências que os pesquisadores apenas começaram a modelar. Na visão de Lin, a evolução planetária é um tipo de evento darwinista, à medida que planetas embrionários competem para aumentar seus tamanhos buscando “comida” pesada no disco, enquanto lutam para não serem consumidos por um irmão ou puxados para dentro da estrela mãe. Se há planetas em abundância, cientistas suspeitam de que também haja vida em abundância, pelo menos do tipo microbiano. Afinal de contas, dizem eles, o surgimento da vida aqui foi relativamente rápido, talvez 800 milhões de anos após o nascimento da Terra — e, então, ficou unicelular pelos próximos 3 bilhões de anos. Ansiosos para identificar outras candidatas a Gaia, os astrônomos têm grandes esperanças na nave espacial Kepler, a ser lançada em fevereiro de 2009. A Kepler adotará uma abordagem diferente em sua análise planetária, diz Seager, buscando não apenas vibrações estelares mas também “pequenas quedas de brilho”, possíveis sinais de um planeta transitando através da face distante do Sol. Kepler irá rastrear 100 mil estrelas por quatro anos, o suficiente para detectar os cruzamentos ocasionais de quaisquer planetas com órbitas vagarosas como o nosso.

Era dos Descobrimentos
“Isso será parecido com a grande era da exploração do século 16”, diz Shostak. “Vamos saber que fração de estrelas tem planetas”, e o mais importante, “que fração é formada por planetas pequenos e terrestres.” Com esse abrangente atlas planetário em mãos, podemos escolher os lugares mais dignos de novas investigações: planetas que estão relativamente perto, e mais próximos do tipo que conhecemos melhor. Podemos procurar planetas rochosos que seguem caminhos estáveis, envoltos por nuvens ou vapor d’água que indiquem oceanos líquidos por baixo, e talvez oxigênio atmosférico, sinal da existência de uma biosfera. "O oxigênio é tão reagente que não deveria estar na atmosfera a menos que esteja sendo produzido por algo como a fotossíntese”, diz Seager. “É um enorme indicador de vida.” Podemos nunca visitar esses mundos pessoalmente, mas quem sabe poderemos conhecê-los melhor à distância. “Poderíamos enviar algo do tamanho de uma bola de golfe”, diz Shostak. “Poderíamos mandar algo com olhos robóticos, narizes, orelhas, dedos, todos os sentidos que tornam as coisas interessantes, evitando o risco de entrar num foguete, mas vivendo a aventura da mesma forma.” Que vivamos de maneira longa e próspera, com nossas cabeças nas estrelas, mas nossos pés mortais com segurança no solo.
Natalie Angier
Do 'New York Times'

Estudo diz que Universo é mais transparente do que cientistas pensavam

Madri, 26 jun (EFE).- O Universo é mais transparente do que estabeleciam até agora os modelos científicos, o que obrigaria a buscar novos enfoques para explicar a formação e a evolução das galáxias, depois que um grupo de cientistas detectou uma radiação a mais de cinco bilhões de anos luz.É o que diz um estudo baseado em observações do telescópio Magic, situado na ilha canária de La Palma, cuja conclusão principal é de que o Universo não é tão opaco como postulam os modelos atuais de luz extragaláctica de fundo.

Colisão na infância definiu futuro do planeta Marte


Concepção artística de Marte sofrendo o impacto gigante que moldou sua superfície (Foto: Divulgação)



Marte nunca foi um planeta de muita sorte mesmo. Mas um episódio em particular no princípio de sua história pode ter marcado para sempre o destino daquele mundo. Cientistas acabam de confirmar que o planeta vermelho foi vítima de um impacto gigantesco -- de deixar aquele que matou os dinossauros no chinelo -- há cerca de 4 bilhões de anos. A pancada deixou uma "cicatriz" imensa na superfície marciana, que só agora foi propriamente identificada pelos pesquisadores, de tão grande que era. É uma elipse de 10 mil quilômetros de largura, que só não foi identificada antes porque estava parcialmente camuflada pelo surgimento dos grandes vulcões marcianos por cima dela, numa etapa posterior da história do planeta. A configuração da superfície marciana, na verdade, sempre foi um mistério. Os cientistas passaram muito tempo intrigados com a grande diferença de topografia dos hemisférios Norte e Sul do planeta. Enquanto o Norte parece liso, com a crosta mais fina, o Sul era muito mais acidentado, e a crosta muito mais espessa. Mapeando essa diferença da forma mais acurada possível, o grupo de Jeffrey Andrews-Hanna, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), acaba de identificar a elipse-cicatriz e desfazer o mistério: o hemisfério Norte marciano foi vítima de um impacto gigante. A pancada, do que se sabe nessa região do Sistema Solar, é a segunda maior de que se tem notícia. Maior que essa, só mesmo a que envolveu a Terra, no comecinho de sua história, quando um objeto mais ou menos do tamanho de Marte colidiu com o planeta em formação, dando origem à Lua. Mas a megapancada marciana foi a única que deixou traços na superfície para que identificássemos corretamente. "Impactos maiores certamente ocorreram, mas eles não deixaram crateras para trás", disse ao G1 Andrews-Hanna. "O impacto que formou a Lua deve ter derretido a maior parte da porção externa da Terra, deixando para trás o que chamamos de 'oceano de magma' cobrindo a superfície." Andrews-Hanna indica que a elipse gigante de Marte -- batizada de bacia Borealis -- é a maior cicatriz de impacto já observada, quatro vezes maior que suas concorrentes principais (as bacias Hellas e Utopia, em Marte, e Aitken, na Lua). Os resultados do grupo de Andrews-Hanna foram publicados na edição desta semana do periódico científico "Nature". Também foram divulgados dois outros estudos, um vindo do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e outro da Universidade da califórnia em Santa Cruz. O primeiro, comandado por Margarita Marinova, investigou em que condições um impacto desses pode ter produzido a cicatriz deixada em Marte. "Com base na simulações de Marinova e seus colegas, o objeto que atingiu o planeta devia ter um diâmetro de cerca de 2.000 km -- eles dão uma faixa que vai de 1.600 a 2.700 km", afirma Andrews-Hanna. O segundo, liderado por Francis Nimmo, modelou os resultados do impacto sobre a superfície de Marte, incluindo efeitos causados sobre o hemisfério que não foi atingido pela pancada cósmica. Para os cientistas, é muito importante identificar esse que é o primeiro episódio registrado da vida do planeta vermelho. "Na verdade, tudo que está preservado no registro geológico de Marte é mais novo que esse impacto", diz Andrews-Hanna. "Não temos meio de saber como era o planeta antes do impacto, mas é certo que um evento dessa magnitude teria afetado todos os aspectos da evolução subseqüente de Marte, incluindo clima e atmosfera. Esse foi provavelmente o evento definidor para produzir o planeta Marte que conhecemos hoje."
Globo on line

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