sábado, 10 de janeiro de 2009

Cometa mais brilhante de 2009 já pode ser visto na madrugada

Observar um cometa no céu é uma das mais interessantes experiências para qualquer pessoa. Afinal, não é todo dia que temos a oportunidade de ver um objeto no céu diferente dos planetas e das estrelas conhecidas. Para aqueles que gostam de astronomia, então, nem se fala. A atividade deixa de ser apenas "interessante" e passa a ser fascinante e educativa.



Atualmente, um dos objetos que começa a chamar a atenção é a chegada do cometa C/2007 N3 Lulin, que já pode ser visto durante as madrugadas de praticamente qualquer lugar do hemisfério Sul. As últimas observações mostram que o cometa já atingiu a magnitude 8 e deverá aumentar de brilho até a magnitude 4 com o passar dos dias.O cometa se aproxima cada vez mais da Terra. Sua distância atual é de 239 milhões de quilômetros e no dia 24 de fevereiro atingirá o perigeu, a apenas 59 milhões de quilômetros. Neste dia sua magnitude será mínima (brilho máximo) e poderá ser visto facilmente por qualquer pessoa, mesmo sem auxílio de instrumentos.No dia 10 de janeiro, sábado, C/2007 N3 atingirá a menor distância do Sol, quando passará a apenas 182 milhões de quilômetros da estrela. Sua órbita quase-parabólica sugere que este será o primeiro cometa a visitar o Sistema Solar interior, formado pelos quatro planetas rochosos e os objetos do Cinturão de asteróides. Como os cometas são bastante imprevisíveis, ninguém pode afirmar como C/2007 N3 se comportará na presença dos intensos raios solares.A descobertaC/2007 N3 é um cometa não periódico (não orbita o Sol) e foi descoberto no dia 11 de julho de 2007 pelos astrônomos Quanzhi Ye, do observatório de Guangzhou, na China e seu colega Chi Sheng Lin, do Instituto de Astrofísica de Lulin, em Taiwan. Alguns dias após ser descoberto o astrônomo norte-americano Joseph Young observou que o objeto aparentava ter uma cauda. As primeiras observações ocorreram quando C/2007 N3 apresentava brilho de magnitude 19, tão fraco que só podia ser visto através de grandes instrumentos. Em julho de 2008 a magnitude do cometa havia decaído para 11 e em setembro de 2008 já estava na décima magnitude, lembrando que quanto menor a magnitude maior o brilho do objeto.De acordo com dados publicados pelo REA-Brasil, Rede de Astronomia Observacional, em 26 de dezembro o astrônomo amador A. Amorim observou o cometa após sua a conjunção com o Sol. Na ocasião Amorim estimou que seu brilho era de 8 magnitudes, classificada com auxílio de um binóculo 20x80 e de um telescópio refletor de 180 mm.Observando o cometaComo explicado acima, atualmente C/2007 N3 apresenta brilho de 8 magnitudes, impossível de ser percebida pelo olho humano sem auxílio de instrumentos. Normalmente, o olho humano começa a perceber o brilho de objetos a partir de seis magnitudes e mesmo assim sob condições excelentes de visibilidade. Portanto, para ver o cometa nestes dias é necessário ir a um local bem escuro, longe das luzes e poluição da cidade, acompanhado de um telescópio ou binóculos.




À medida que o cometa se aproximar mais do nosso planeta, sua magnitude irá decair até o dia 24 de fevereiro, quando as simulações indicam que seu brilho máximo atingirá a magnitude 4, similar à intensidade da estrela Gamma de Libra, mostrada na carta celeste acima. Atualmente o cometa está nascendo no horizonte leste aproximadamente às 03h00 da madrugada e pode ser visto até um pouco antes dos primeiros raios de Sol. Com o passar do tempo C/2007 N3 surge mais cedo sobre o horizonte, tornando as observações mais duradouras durante a madrugada. A carta celeste mostrada retrata a posição do cometa e das estrelas às 03h30 da madrugada e tem validade por aproximadamente uma semana, quando publicaremos um novo gráfico.

Fonte: Site Apolo 11 - www.apolo11.com
http://www.apolo11.com/destaque.php
Editoria: Astronomia Sexta-feira, 9 jan 2009 - 10h07

Colaboração: Adriano Remorini Tralback

Artes: No topo, cometa C/2007 N3 fotografado pelo astrônomo Karzaman Ahmad, do observatório Nacional de Langkawi, na Malásia. A cena após 24 minutos de exposição fotográfica feita através de um telescópio de 20 polegadas (meio metro) de abertura. Acima, carta celeste ajuda a localizar o cometa no céu. Créditos: Karzaman Ahmad, Langkawi National Observatory / Apolo11.com.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Astrônomos criam 1º modelo 3D de explosão de estrela


Astrônomos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) anunciaram que recriaram pela primeira vez um modelo em 3D dos momentos seguintes à explosão de uma estrela, o que pode ser uma boa ferramenta para se estudar melhor o processo.



Os especialistas recolheram informações de dois telescópios orbitais da Nasa - o Chandra, de raios X, e p Spitzer, que obtém imagens pela detecção de radiação infravermelha ou de calor - e de telescópios na superfície da Terra.

Eles utilizaram técnicas de obtenção de imagens normalmente empregadas na área médica para criar um holograma da supernova Cassiopéia A. As supernovas são corpos celestes brilhantes surgidos após as explosões de estrelas e que, com o tempo, acabam perdendo a luminosidade. Haley Gomez, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, disse que o modelo oferece "uma visão surpreendente da explosão original de uma estrela".

Discos
A imagem mostra jatos na forma de discos saindo da estrela quando ela explode. Os astrônomos já sabiam das emanações das estrelas, mas a estrutura no formato de disco é uma nova descoberta. A equipe internacional usou imagens de raio-X e infravermelho para criar a visualização e ter uma compreensão mais completa do que acontece na explosão.

A Cassiopéia A é uma supernova - resultante de uma estrela que, acredita-se, explodiu há 330 anos. Gomez disse que a recriação é "realmente extraordinária". "Astrônomos e o público estão acostumados a ver imagens 'achatadas', com duas dimensões. Agora nós podemos visualizar um objeto a 11 mil anos-luz por ângulos diferentes."

"Nós sempre quisemos saber como as peças que vemos em duas dimensões se encaixam entre si na vida real. Agora podemos ver por nós mesmos com esse 'holograma' de restos de supernova", disse Tracey DeLaney, chefe da equipe de pesquisadores.No vídeo, liberado pelos astrônomos, a região em verde é, na maioria, ferro, observado através de raios X. A região amarela é uma combinação de argônio e silício vistos por raios X, meios óticos e infravermelho, incluindo jatos de silício. A região vermelha é de resíduos frios vistos por infravermelho. Finalmente, o azul revela uma onda externa resultante da explosão, detectada em mais evidência por raios X.

Globo on line

Mundo inicia comemorações pelo Ano Internacional da Astronomia


Finalmente 2009 começou! Por que tanta ansiedade? Porque 2009 é o Ano Internacional da Astronomia. Ele é especial, pois marca os 400 anos de descobrimento das luas galileanas de Júpiter por Galileu Galilei (por isso são chamadas de “galileanas”).

Há quatro séculos, Galileu apontou sua pequena luneta para céu e começou a descobrir um universo totalmente novo: descobriu luas em Júpiter (descrevendo-as como um minissistema solar), observou as crateras da Lua, descobriu as fases de Vênus, observou as manchas solares (e praticamente ficou cego por isso, não tente fazer igual!) e várias outras observações que levaram-no a postular que não é o Sol que se move em torno da Terra, mas sim o contrário. Existe alguma controvérsia em relação à descoberta das luas galileanas; já ouvi por aí que elas foram observadas antes, mas a história guardou as anotações de Galileu de modo que para a história foi ele o descobridor.

Dizem também que Galileu foi o inventor do telescópio, mas sabe-se que isso não é verdade. Ele ouviu falar que na Holanda havia instrumentos desse tipo e comprou algumas lentes para fabricar a sua própria luneta. A partir daí passou a fabricá-las, sempre aperfeiçoando-as, de modo que rapidamente Galileu possuía os mais avançados instrumentos do mundo.

Galileu foi também o inventor do método científico, usado em larga escala na ciência. É por conta dele que podemos ter confiança em teorias que expliquem os fenômenos da natureza, desde o átomo até as galáxias, com as hipóteses por trás delas testadas à exaustão. Mas não é disso que eu quero falar agora.

Para celebrar esses acontecimentos, 2009 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional da Astronomia. A idéia é usar os 400 anos das descobertas de Galileu para despertar ou impulsionar o gosto pelas ciências, seja ela qual você gostar mais. E tudo será descentralizado!

O esquema proposto desde o final de 2007 é montar uma rede mundial de associações, clubes de astronomia, universidades, escolas e qualquer grupo interessado em divulgar a astronomia. Essas entidades são chamadas de “nós” de desta grande rede. Há uma coordenação mundial que passa as diretrizes para as coordenações nacionais, que por sua vez as repassam para esses nós. Tudo através da internet, de maneira totalmente democrática.

Os trabalhos de divulgação ficam a cargo e critério dos nós cadastrados, pode ser através de palestras, observações, filmes, o que for. Existem atividades mundiais, como as 100 horas de astronomia, por exemplo. Essa atividade prevê uma maratona de 100 horas ininterruptas de observação do céu pelo mundo todo, com transmissão ao vivo por diversos grandes observatórios do mundo.

Outro projeto bem legal é o chamado “Galileuscópio”. Esse projeto visa a construção de lunetas simples e de fácil montagem que lembrem aquelas usadas por Galileu há quatro séculos. Isso ficaria a cargo dos nós locais e a meta é fazer com que 10 milhões de pessoas no mundo todo observem o céu através de um telescópio pela primeira vez.

Como eu disse, todo o evento pretende ser aberto e democrático. A página doAno Internacional da Astronomia no Brasil (http://www.astronomia2009.org.br/) éonde você pode saber da programação pelo Brasil afora, mas também pode cadastrar o seu clube de astronomia como um nó local.

Aqui em São José dos Campos-SP, vamos começar oficialmente este ano magnífico no próximo dia 15 (veja a programação na página acima) e pretendemos juntar três instituições com ampla tradição na divulgação de astronomia. Eu mesmo devo coordenar uma das principais atividades e se você estiver na região do Vale do Paraíba ou Litoral Norte, fique atento à programação.

Procure o seu nó local e feliz Ano Internacional da Astronomia!

Cássio Barbosa
Observatório

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Imagem da Nasa mostra lua de Saturno sobre os anéis


Imagem distribuída pela Nasa mostra uma das luas de Saturno, Gray Mimas, sobre os anéis do planeta. A grande cratera vista no lado direito da lua leva o nome de William Herschel, que descobriu Mimas em 1789. As imagens foram feitas usando filtros espectrais vermelhos, verdes e azuis especiais, pela câmara da espaçonave Cassini, a uma distância de 3,151 milhões de quilômetros da Mimas (foto: AFP).

Via Láctea é maior do que se pensava, dizem astrônomos


Resultados são de pesquisadores americanos.Nossa galáxia rivaliza em porte com sua vizinha Andrômeda.

Da EFE

Cientistas americanos descobriram que a Via Láctea pesa 50% a mais do que era estimado antes e gira em torno de seu próprio exio a 965.600 km/h, quase 161.000 km/h mais rápido do que se considerava anteriormente. A equipe, formada por pesquisadores do Observatório Nacional de Rádio e Astronomia dos EUA e do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, apresentou nesta segunda-feira (5) os resultados de sua pesquisa em reunião da Sociedade Americana de Astronomia em Long Beach, na Califórnia. Eles explicam que, por ser mais veloz e pesada, a galáxia tem maior força gravitacional, o que significa que são maiores as possibilidades de ela colidir com a galáxia de Andrômeda, ou com outras, menores e mais próximas. "Acabou a ideia de a Via Láctea como irmã menor de Andrômeda em nosso grupo local", afirmou o cientista Mark Reid, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. O fato de as observações científicas terem sido feitas de o interior da galáxia dificulta as medições e o estudo de sua estrutura, algo mais simples para o restante de galáxias, das quais se pode obter uma imagem geral. Até agora, o valor das magnitudes da Via Láctea era calculado por medições indiretas. No entanto, os radiotelescópios VLBA da Fundação de Ciência Nacional dos EUA registram imagens de alta qualidade e medidas diretas de distâncias e movimentos que não dependem de outras propriedades, como o brilho. Nas imagens da galáxia captadas pelos radiotelescópios, os cientistas localizaram regiões de intensa formação de estrelas nas quais moléculas gasosas aumentam as emissões de rádio. Essas áreas servem como marcas brilhantes para o radiotelescópio, o que permitiu determinar os movimentos tridimensionais dessas regiões, que, em sua maioria, seguem um caminho circular, na medida em que se movimentam pela galáxia, mas elíptico e a uma velocidade inferior às das demais regiões. Os pesquisadores atribuem estes movimentos às ondas expansivas de densidade espiral, que tomam gás de uma órbita circular, o comprimem para formar estrelas e originam uma nova órbita elíptica. Esses processos, segundo explicam os cientistas, contribuem para reforçar a estrutura espiral da Via Láctea. A equipe sugere ainda que a galáxia tem quatro, e não dois braços, de gás e pó em espiral, nos quais se formam estrelas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Telescópio Hubble flagra lua 'se pondo' atrás do planeta Júpiter

Ganimedes, embora seja apenas uma lua, é maior que o planeta Mercúrio -- o que não significa que o satélite pareça grande perto de Júpiter. O Telescópio Espacial Hubble flagrou a lua pouco antes de se esconder atrás do planeta gigante gasoso, produzindo a espetacular imagem abaixo. A fotografia permite estudar as crateras na superfície de Ganimedes e até a atmosfera de Júpiter, graças à luz refletida pelo satélite natural.


Na mitologia, Ganimedes era o 'garçom' dos deuses do Olimpo (Foto: Nasa/ESA/E. Karkoschka (Universidade do Arizona)

Globo on line

Buraco gigante é descoberto em campo magnético da Terra


Ilustração indica interação do campo magnético terrestre com o vento solar (Foto: BBC)

Os satélites da missão espacial Themis, lançados em 2007, descobriram um grande buraco no campo magnético da Terra. Segundo os cientistas da Nasa, a agência espacial americana, a abertura é dez vezes maior do que a esperada, e o buraco é quatro vezes mais amplo do que a Terra e sete vezes maior do que o diâmetro terrestre. O campo magnético da Terra, também conhecido como magnetosfera, é uma espécie de bolha magnética que circunda o planeta e protege a superfície terrestre das partículas carregadas pelo vento solar. Os cientistas explicam que o vento solar carregado de partículas "abre" o buraco na magnetosfera da mesma forma como um polvo envolve um objeto com seus tentáculos - um processo conhecido como "reconexão magnética". "O campo magnético do Sol se reveste ao redor da magnetosfera, provocando a sua ruptura", afirma o cientista David Sibeck, da Nasa. A descoberta do buraco foi feita no dia 3 de junho, quando os cinco satélites da nave espacial passaram pela cavidade no momento em que estava se abrindo. "Já vimos cavidades como essa antes, mas não em escala tão grande", disse Jimmy Raeder, físico da Universidade de New Hampshire que também trabalha no projeto. "O lado diurno inteiro da magnetosfera estava aberto para o vento solar."

Orientação
Além do tamanho da cavidade, a orientação dos campos magnéticos do Sol e da Terra no momento da abertura também surpreendeu os cientistas. Até a descoberta, pensava-se que o escudo de proteção funcionava melhor e impedia que as partículas conseguissem atravessar o campo magnético terrestre quando ele estava alinhado com o campo magnético do Sol. Acreditava-se ainda que, quando os campos estavam em direções opostas, a abertura era maior. Os cientistas descobriram, no entanto, que, quando os dois campos magnéticos estão orientados em direções opostas, o número de partículas que atravessam o escudo terrestre é 20 vezes maior do que no momento em que os campos estão alinhados. Quando um número grande de partículas atravessa o campo magnético terrestre, isso pode provocar tempestades solares, causadas pela liberação das partículas, e também tempestades magnéticas, que podem sobrecarregar cabos de energia com excesso de corrente elétrica e causar apagões.

BBC

Astrônomos europeus fazem nova imagem de 'árvore de Natal' cósmica

Aglomerado de estrelas 'natalino' fica na constelação do Unicórnio.Área é ideal para o estudo do 'nascimento' estelar.

A árvore de Natal dos astrônomos do ESO (Observatório Europeu do Sul, na sigla inglesa) não podia ser mais megalomaníaca: mede 30 anos-luz. É que os aparelhos da instalação de pesquisa, localizada a 2.400 m de altitude no deserto do Atacama, no Chile, acabam de obter uma nova imagem do aglomerado de estrelas conhecido como Árvore de Natal, que fica na constelação do Unicórnio. Além de belíssimo, o local é ideal para o estudo da formação de estrelas.




Imagem mostra região do céu com cerca de 30 anos-luz de comprimento (Foto: ESO/Divulgação)

Globo on line

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Nasa divulga imagens inéditas captadas por supertelescópio


Imagem do Chandra mostra região de 30 Doradus (Foto: BBC)


Imagens inéditas divulgadas nesta semana pela Nasa, a agência espacial americana, mostram pela primeira vez com detalhes a região de 30 Doradus, uma das maiores áreas de formação de grandes estrelas na Grande Nuvem de Magalhães, próxima à Via Láctea. As imagens foram captadas pelo observatório de raios-X Chandra, que abriga o mais potente telescópio de raios-X do mundo. O supertelescópio Chandra tem uma resolução oito vezes maior e pode detectar fontes de luz 20 vezes mais fracas do que o maior telescópio anterior.As observações da 30 Doradus, também conhecida como Nebulosa de Tarântula, foram feitas ao longo de 31 horas, três vezes mais do que a observação mais longa que já havia sido feita pelo Chandra.A nebulosa está a cerca de 160 mil anos-luz da Terra, ao sul da constelação de Dorado. Ela tem uma dimensão de 800 anos luz de largura e tem uma grande claridade.Se estivesse a uma distância semelhante à da Nebulosa de Órion, que está a 1.300 anos-luz da Terra, a 30 Doradus cobriria uma área de 60 Luas cheias e sua luz seria suficientemente clara para projetar sombras à noite na Terra.O observatório de raios-X Chandra foi lançado pela Nasa em julho de 1999.

BBC

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Universitários descobrem a estrela com planeta mais quente já registrada

Três estudantes da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, descobriram a mais quente estrela que possui um planeta em sua órbita. A Organização Européia Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, em inglês) divulgou nesta quinta-feira (4) uma reprodução artística do planeta OGLE-TR-L9b e seu sol. Por coincidência, o planeta também é o mais rápido já registrado. Ele dá a volta na estrela em 2,5 dias. A distância entre os dois é de 3% se comparada com a relação entre a Terra e o Sol.


O planeta possui cinco vezes a massa de Júpiter e, por estar perto da estrela, é quente com atmosfera inchada e turva. (Foto: ESO/H. Zodet)

G1/AFP

Detecção de vapor d'água em planeta anima busca por vida fora da Terra

A astronomia é capaz de coisas incríveis. Os cientistas mal conseguem enxergar com seus telescópios estes planetas que giram ao redor de estrelas distantes. Mas em compensação já estão conseguindo até dizer que componentes existem em sua atmosfera. E duas detecções muito importantes acabam de ser feitas -- cientistas encontraram gás carbônico e, melhor ainda, vapor d'água, num mundo a 63 anos-luz daqui.


Concepção artística de 'Júpiter Quente', planeta que gira muito próximo de sua estrela, como o HD 189733b (Foto: Nasa)

Os protagonistas da descoberta são os telescópios Hubble e Spitzer, satélites da Nasa, agência espacial americana, que orbitam ao redor da Terra. E a vítima da espionagem cósmica é o HD 189733b, nome pouco charmoso para designar um chamada "Júpiter Quente", um planeta gigante gasoso que gira muito próximo de sua estrela-mãe (que, adivinha só, se chama HD 189733). Para que se tenha uma idéia de quão perto, basta dizer que ele completa uma volta em torno da estrela em pouco mais de dois dias terrestres. Isso mesmo, o ano lá dura dois dias. Caso houvesse alienígenas vivendo naquele mundo, eles passariam o tempo todo alternando entre o dia 31 de dezembro e o 1° de janeiro. Só alegria, né? Mas pagariam o preço tendo de sobreviver aos cerca de 900 graus Celsius resultantes dessa proximidade com a estrela. Tudo bem que muita gente gosta de verão e feriado, mas não exageremos, certo? Falando sério: por conta das altas temperaturas (para não falar da pressão e gravidade violentíssimas desse mundo gigantesco, muito maior do que a Terra), os cientistas têm forte convicção de que não existe vida -- ao menos como a conhecemos -- no planeta. Entretanto, os resultados, que foram apresentados ao longo desta semana pela Nasa e num artigo publicado na edição desta semana do periódico científico "Nature", têm tudo a ver com a busca por vida fora da Terra. Para esclarecer isso, basta refletir sobre o seguinte problema: como um ET, a vários anos-luz daqui, monitorando a Terra de muito longe, poderia concluir que nosso mundo abriga vida? A chave está na composição da atmosfera. Um planeta sem vida, por exemplo, não pode manter os níveis atmosféricos de oxigênio presentes na Terra. E que forma de vida pode viver sem água? Vapor d'água é um importantíssimo sinal a ser buscado na atmosfera de outro mundo. Outros gases, como metano e gás carbônico, também podem denunciar atividade biológica -- mas não necessariamente. Enfim, se um astrônomo ET olhasse para a Terra e detectasse os componentes de sua atmosfera, poderia dizer com certeza que há criaturas fazendo fotossíntese e produzindo oxigênio regularmente no planeta. E é desse mesmo modo que provavelmente encontraremos os primeiros indícios de vida fora do Sistema Solar. Não observando um "Jupiter Quente", como o HD 189733b, mas um planeta mais parecido com a Terra. Dificuldades de observação Ocorre que, ao menos no momento, somente uns poucos planetas se prestam a esse tipo de sondagem. Como mencionado antes, é muito difícil detectar a luz vinda de um planeta fora do Sistema Solar (e, portanto, enxergá-lo). Isso ocorre porque sua estrela-mãe, muito próxima dele no céu, tem um brilho que ofusca demais. Sem detectar a luz vinda do planeta, fica impossível buscar nela as "assinaturas" dos componentes presentes em sua atmosfera. Mas há alguns casos que se salvam: são os que o sistema planetário está de tal forma alinhado com a Terra que o planeta passa rotineiramente à frente de sua estrela, conforme avança em sua órbita. Nos casos em que ocorrem esses chamados "trânsitos", os astrônomos podem usar um truque para identificar a luz vinda do planeta. Monitoram a luz vinda da estrela quando o planeta não está à frente dela e depois comparam com a luz vinda quando planeta e estrela estão juntos. Com isso, conseguem subtrair exatamente a parte que pode ser atribuída à estrela. O que sobra, naturalmente, veio do planeta. Foi exatamente essa a situação em que foi encontrado o HD 189733b, e por isso ele está sendo o grande "campeão" na análise atmosférica de um mundo fora do Sistema Solar. Além de gás carbônico e água, estudos anteriores já haviam detectado também metano em sua atmosfera. E os cientistas esperam que essa linha de pesquisa só vá crescer nos próximos anos, conforme planetas rochosos -- mais parecidos com a Terra -- sejam detectados por diversos projetos que buscam exatamente astros que façam trânsitos (é o caso do satélite francês Corot, que já está operando e tem participação brasileira). "Quando encontrarmos esse planeta, usaremos o Telescópio Espacial James Webb [sucessor do Hubble, ainda em fase de construção] para medir seu espectro", comenta Drake Deming, astrônomo da Nasa que comentou a descoberta para o periódico "Nature". Aí a busca por vida fora da Terra realmente deve esquentar, e muito.

Salvador Nogueira Do G1, em São Paulo

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O acordo do clima pode criar nova divisão para os países


O acordo global para o clima pode criar nova classificação para os países. Pelo menos nos bastidores da negociação internacional para um acordo do clima, na Polônia. Representantes dos países estão preparando as bases para um tratado contra as mudanças climáticas, que será assinado em dezembro do ano que vem. Agora, o que circula nos corredores das salas de negociação é uma nova divisão do mundo. Até então, qualquer tentativa de reduzir as emissões dos países esbarrava em uma dicotomia complicada. Hoje, os países desenvolvidos, listados em um grupo chamado Anexo 1, têm obrigações de reduzir os gases que contribuem para o aquecimento global. Os outros países não têm obrigação alguma, incluindo a China que hoje deve ser quem mais emite no mundo. A briga de governos como dos EUA, Canadá e Japão é que eles se recusam a assumir metas ambiciosas, sem a participação de países como Brasil, China, Rússia e Índia. Esse bloco emergente, por sua vez, argumenta que os ricos devem fazer sua parte primeiro.Para sair do impasse, o mundo deverá ser fatiado de outra forma. A proposta mais forte nas mesas de discussão cria outros grupos de países. O Anexo 1 são os países desenvolvidos: EUA, Canadá, Japão, Austrália, Nova Zelândia e o grupo da Europa Ocidental (Alemanha, França, Itália, etc). O Anexo 2 seriam os países do ex-socialista europeu: Polônia, Hungria, Ucrânia e inclusive a Rússia. O Anexo 3 teria os países emergentes e influentes: Brasil, China, Índia, Coréia do Sul, México e África do Sul. O Anexo 4 seriam os países emergentes e menos influentes: Argentina, Chile, Indonésia, Venezuela, etc. E finalmente o Anexo 5 teria os países pobres: Bolívia, Timor, países africanos, etc.“Pode ser uma forma de criar compromissos diferentes, de acordo com a condição de cada grupo”, diz Ernesto Cavasin, da PriceWaterhouseCoopers, e observador da conferência na Polônia. Segundo ele, a proposta vem sendo bem aceita pelos diplomatas e ministros dos vários países. “Para o Brasil, isso significa assumir obrigações como metas de redução nas emissões, mas por outro lado cria uma situação de liderença no grupo da América Latina”, diz.

Alexandre Mansur - Blog do Planeta

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