sexta-feira, 12 de junho de 2009

Eclipse ajuda cientistas a identificar 'assinatura' de planetas como a Terra


Imagem mostra o Sol parcialmente ofuscado pela Terra, emitindo a 'assinatura' detectada pelos cientistas (Foto: Divulgação)


Pesquisadores analisaram luz emanada da Lua durante eclipse lunar.Com isso, descobriram como seria a 'assinatura' da Terra, vista de longe.

Salvador Nogueira
Do G1, em São Paulo

Os eclipses lunares são tidos hoje como ótimos espetáculos visuais para os interessados por astronomia, mas dificilmente são vistos como algo que possa render resultados científicos importantes. Pois um grupo de pesquisadores espanhóis acaba de mudar isso, com um estudo que deve ajudar até a procurar planetas similares à Terra fora do Sistema Solar. O grupo de Enric Pallé, do Instituto de Astrofísica das Canárias, em Tenerife, na Espanha, obteve, durante um eclipse lunar observado em 16 de agosto de 2008, o que seria a "assinatura" da atmosfera terrestre, se vista de longe, conforme o planeta passasse à frente do Sol, com relação a um observador distante. Em outras palavras, eles identificaram os traços luminosos que seriam captados por um ET, caso ele estivesse em outro sistema planetário, apontando um poderoso telescópio na nossa direção. A essa assinatura específica é dado o nome de espectro, que equivale à separação da luz vinda de um objeto em suas cores componentes. A partir de marcas nesse padrão de cores separadas, é possível identificar vários dos compostos presentes no ponto de origem da luz. Com o espectro da Terra, por exemplo, é possível identificar a presença de substâncias como oxigênio, nitrogênio e vapor d'água na atmosfera. Segundo os cientistas, é possível até observar características da ionosfera terrestre -- camada da atmosfera marcada pela presença de moléculas polarizadas. A obtenção do chamado espectro de transmissão da Terra foi possível durante um eclipse lunar porque nesse momento a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a maior parte da luz solar. O que sobra -- e ilumina a Lua -- é a luminosidade do Sol que atravessa a atmosfera terrestre e vai parar na superfície lunar. Analisando essa luz, portanto, é possível calcular como é o espectro da Terra, visto da Lua. E o melhor de tudo: muitos dos planetas descobertos fora do Sistema Solar passam à frente de suas estrelas, com relação à Terra. Assim, o espectro que os astrônomos captam deles são equivalentes ao obtido agora do nosso planeta pelos cientistas. Moral da história: é possível compará-los, para identificar quão parecido um planeta fora do Sistema Solar é com a Terra. Com a descoberta de mais e mais planetas, é possivelmente questão de tempo até que encontremos um que tem uma assinatura parecida com a que a Terra emite. Isso, muito provavelmente, será sinal de que há vida naquele mundo distante. O estudo de Pallé e seus colegas está na última edição do periódico científico "Nature".

Recém-nascidas no centro da Via Láctea


Finalmente acharam. todo mundo sabia que era possível, que elas deveriam estar lá, mas cadê? Onde estão as estrelas recém-nascidas no centro da Via Láctea?

O centro de nossa galáxia é povoado por estrelas, gás, poeira e bem no seu centro, um buraco negro supermassivo. As condições são para lá de caóticas: ventos estelares intensos, violentas ondas de choque e outros fatores que só tornam a formação de novas estrelas mais difícil. Mas mesmo em ambientes conturbados assim, estrelas devem se formar. Então é fácil, basta olhar para o centro da galáxia e estudá-las. Só que justamente o centro é um dos lugares na Via Láctea mais afetados pelo obscurecimento causado pela poeira. Além do fato de ser um local relativamente distante, a 24 mil anos-luz. Até hoje, ninguém tinha de fato apontado uma estrela recém-nascida por lá.

Na verdade até o último dia 10 de junho. Uma equipe de astrônomos liderada por Kris Sellgren usou o telescópio espacial Spitzer (antes que ele encerrasse parte de suas operações) para encontrar estrelas bem jovens. Estrelas mais velhas, digamos na adolescência, já são conhecidas há algum tempo, mas as recém-nascidas, com no máximo, um milhão de anos, ainda não tinham sido encontradas.

Uma outra dificuldade é que as recém-nascidas se parecem muito com as estrelas velhas e frias, gigantes ou supergigantes. Estrelas desse tipo são muito comuns no centro da Via Láctea. Para se ter uma ideia, o catálogo inicial analisado tinha pelo menos um milhão de candidatos! Sellgren e sua estudante de doutorado selecionaram 100 suspeitas e no final encontraram apenas 3! Uma agulha no palheiro, ou na verdade 3 agulhas, como disseram as pesquisadoras.

As pesquisas prosseguem e todo o time da Universidade de Ohio espera encontrar mais estrelas assim. Elas vêm comprovar as teorias que dizem que estrelas conseguem se formar mesmo nos ambientes mais inóspitos do universo e também completa o álbum de família. Estrelas jovens, velhas e buraco negro, faltavam as mais jovens de todas.

por Cássio Barbosa em 12 de junho de 2009 às 14:07
Observatório

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