quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cientistas estimam a quantidade de luz emitida por estrelas no Universo

Cálculo foi feito a partir de dados de raios gama obtidos pela Nasa.
Estudo foi publicado pela revista 'Science'.

Do G1, em São Paulo
 
Cientistas conseguiram estimar com precisão inédita a soma de toda a luz já produzida pelas estrelas no Universo. O cálculo foi feito com base em dados obtidos pelo Telescópio Espacial Fermi, que detecta raios gama.

Os raios gama são a forma mais energética de luz que o ser humano conhece. Desde 2008, quando a Nasa lançou o Fermi, esse telescópio observa os céus em busca desses raios, o que levou à criação de um mapa detalhado desse tipo de energia.

Mapa usado pelos astrônomos na medição dos raios gama; os pontos verdes são os blazares (Foto: NASA/DOE/Fermi LAT Collaboration) 
Mapa usado pelos astrônomos na medição dos raios gama; os pontos verdes são os blazares (Foto: NASA/DOE/Fermi LAT Collaboration)
 
“A luz ótica e a ultravioleta das estrelas continua viajando pelo Universo mesmo depois que as estrelas param de brilhar, e isso cria um campo de radiação fóssil que podemos explorar usando raios gama de fontes distantes”, explicou o autor Marco Ajello.

Ajello, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, liderou o estudo publicado nesta quinta-feira (1º) pela revista “Science”.

O cálculo foi feito a partir de um tipo de galáxia conhecido como blazar, cuja energia é proveniente de um buraco negro. Essas galáxias emitem raios gama, mas esses raios interagem com a luz das estrelas e se perdem, em um processo que os cientistas comparam a uma “neblina cósmica”.

Os pesquisadores observaram então o fenômeno em pontos mais próximos à Terra, e conseguiram determinar quantos raios seriam emitidos em diferentes quantidades de energia. A partir daí, eles analisaram a energia de vários blazares e conseguiram medir a espessura da “neblina”, que representa a quantidade de luz produzida pelas estrelas.

Astrônomos encontram supernovas dos primórdios do Universo

Fenômenos são até cem vezes mais brilhantes que as supernovas comuns.
Explosões ocorreram há mais de 10 bilhões de anos.

Do G1, em São Paulo

Simulação de uma supernova 'superluminosa' no ambiente dos primórdios do Universo (Foto: Adrian Malec e Marie Martig/Swinburne University) 
Simulação de uma supernova 'superluminosa' (à esquerda) no ambiente dos primórdios do Universo (Foto: Adrian Malec e Marie Martig/Swinburne University)
 
Uma equipe internacional de cientistas anunciou nesta quarta-feira (31) a descoberta do que podem ser as supernovas mais distantes já encontradas. Uma supernova é a explosão de uma estrela, que ocorre no fim da vida desse astro.

As duas supernovas encontradas pela equipe liderada por Jeff Cooke, da Universidade Swinburne de Tecnologia, em Hawthorn, na Austrália, foram chamadas de “superluminosas”. Elas são entre dez e cem vezes mais brilhantes que os tipos mais comuns de supernovas.

Por serem muito distantes, os fenômenos descritos na revista científica “Nature” são também muito antigos. As explosões ocorreram há mais de 10 bilhões de anos, portanto até 3 bilhões de anos depois do Big Bang, explosão que deu início ao desenvolvimento do Universo, segundo a teoria vigente.

Os cientistas ainda não sabem explicar exatamente a origem das supernovas detectadas, mas acreditam que seja o resultado da explosão de estrelas muito massivas, causada por reações ocorridas dentro de átomos.

'Caçadores' de meteoritos acham objeto de 300 kg no oeste da Polônia

Fragmento de metal tem forma de cone e foi achado no dia 25 de outubro.
Cientistas acreditam que meteorito tenha caído sobre a Terra há 5 mil anos.

Da AFP

Geólogos poloneses encontraram o maior meteorito já descoberto no Leste Europeu, com 300 quilos e o formato de um cone. O objeto foi detectado no dia 25 de outubro, a dois metros de profundidade, e o anúncio foi feito na quarta-feira (31).

Os cientistas que examinaram o meteorito na Universidade de Poznan, no oeste da Polônia, acreditam que ele caiu sobre a Terra há 5 mil anos e é composto principalmente de ferro, com rastros de níquel. A expectativa dos pesquisadores é que esse fragmento ajude a entender a composição da camada interna da superfície do nosso planeta.

Meteoro (Foto: Jakub Kaczmarczyk/PAP/AFP) 
Jornalistas fotografam o maior meteoro já achado na Polônia, em Poznan
 (Foto: Jakub Kaczmarczyk/PAP/AFP)
 
"Sabemos que o córtex terrestre é composto por ferro, mas não podemos estudá-lo. Aqui temos um 'convidado' do espaço exterior que é similar em sua estrutura, e podemos examiná-lo facilmente", declarou o professor Andrzej Miszynski em Poznan, onde a descoberta foi divulgada.

O exame do meteorito "pode ampliar os conhecimentos sobre a origem do Universo", declarou o professor Mizynski, citado pela agência polonesa PAP.

Dois geólogos "caçadores" de meteoritos, Magdalena Skirzewska e Lukasz Smula, usaram um detector eletromagnético para encontrar o objeto na reserva de meteoritos de Morasko, ao norte da cidade de Poznan. Segudo Miszynski, "trata-se da descoberta mais importante do tipo nessa parte da Europa".

Até agora, cerca de 1.500 quilos de meteoritos menores foram encontrados na reserva de Morasko, criada em 1976 – mas desde 1914 já haviam sido achados objetos desse tipo no local.

O até então maior meteorito da Polônia pesa 164 kg e foi encontrado em 2006, na mesma reserva. O maior objeto do mundo, chamado Hoba e localizado na Namíbia, África, pesa mais de 60 toneladas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nova análise mostra semelhança entre solos de Marte e do Havaí

Do G1, em São Paulo

Solo de onde o Curiosity retirou a amostra analisada (Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS) 
Solo de onde o Curiosity retirou a amostra  
analisada (Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS)
 
A Nasa divulgou nesta terça-feira os resultados de uma análise feita pelo jipe-robô Curiosity, que mostra que o solo marciano tem uma composição similar à dos solos de origem vulcânica do Havaí, arquipélago no Pacífico que é também um estado norte-americano.


Esta não é a primeira semelhança que o Curiosity encontra entre os objetos dos dois locais. Na primeira quinzena do mês, a agência espacial norte-americana divulgou que a pedra “Jake Matijevic”, encontrada no planeta vermelho, era semelhante a rochas basálticas havaianas.

A identificação da composição das rochas e do solo de Marte é uma parte importante da missão do Curiosity. O veículo foi projetado para tentar descobrir se, algum dia, o planeta já teve as condições necessárias para abrigar vida. Conhecendo os minerais com precisão, é possível descobrir como eles se formaram.

A análise do solo marciano foi feita por um instrumento do Curiosity chamado CheMin. Esse instrumento utiliza um método chamado difração de raio-X para identificar a composição do solo. A tecnologia é muito usada na Terra, mas nunca tinha sido aplicada em Marte e, por isso, torna o Curiosity mais eficaz que seus antecessores.

“Muito de Marte está coberto por poeira, e tínhamos uma compreensão incompleta da sua mineralogia”, explicou David Bish, pesquisador da Universidade de Indiana envolvido no projeto.

“Até o momento, os materiais que o Curiosity analisou são consistentes com nossas ideias iniciais sobre os depósitos na Cratera Gale – região do planeta em que o veículo pousou –, registrando uma transição ao longo do tempo de um ambiente úmido para um seco. As rochas antigas, como os conglomerados, sugerem fluxos de água, enquanto os minerais no solo mais jovem são consistentes com um contato limitado com a água”, completou Bish.

Análise gráfica em raio-X da amostra do solo marciano (Foto: NASA/JPL-Caltech/Ames) 
Análise gráfica em raio-X da amostra do solo marciano 
(Foto: NASA/JPL-Caltech/Ames)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Astrônomo brasileiro descobre estrela rara na Via Láctea

WR42e tem 1 milhão de anos de idade, o que é pouco para uma estrela.
Astro descoberto tem mais de cem vezes a massa do Sol.

Tadeu Meniconi 
  Do G1, em São Paulo
 
Um astrônomo brasileiro que trabalha no Chile descobriu uma estrela rara, localizada a cerca de 25 mil anos-luz da Terra, na Via Láctea, mesma galáxia em que o nosso planeta também se situa. A estrela WR42e chama atenção por sua massa, mais de cem vezes maior que a do nosso Sol, e também pela localização.
A estrela fica a 19 anos-luz do aglomerado estelar mais próximo, chamado NGC 3603, que é uma região de formação de estrelas.

Localização da estrela WR42e e do aglomerado NGC 3603 (Foto: Alexandre Roman Lopes / Divulgação) 
Localização da estrela WR42e e do aglomerado NGC 3603. A distância entre eles está marcada na imagem em 'minutos de arco', uma unidade usada na astronomia que corresponde a aproximadamente 19 anos-luz (Foto: Alexandre Roman Lopes / Divulgação)
 
“As teorias sobre a formação de estrelas muito massivas supõem que deveria haver muito hidrogênio para formá-las, então ela deveria estar no centro de um aglomerado”, ponderou Alexandre Roman Lopes, autor do estudo. O pesquisador da Universidade de La Serena publicou seu trabalho na revista “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”.

O astrônomo não sabe ainda explicar ao certo como essa estrela chegou à sua atual localização. “Em teoria, ela nasceu em outro lugar”, ressaltou. Segundo ele, o mais provável é que ela tenha surgido no aglomerado NGC 3603 e tenha sido expulsa de lá pela interação gravitacional, mas pode ainda haver outras explicações teóricas.

“Só a descoberta de mais exemplares como esse pode dar mais argumentos para a discussão. É uma descoberta muito rara”, apontou Lopes.

Essencial para a vida
WR42e é uma estrela de vida curta. Ela tem cerca de 1 milhão de anos e deve manter sua grande massa e seu brilho por mais 1 milhão de anos. Depois disso, deve explodir, espalhando seu material pelo Universo.
Como base de comparação, o Sol, que é uma estrela mais estável, tem pouco menos de 5 bilhões de anos de idade, e deve ter mais 5 bilhões de anos pela frente.

Para que haja vida em algum planeta próximo, uma estrela como o Sol é muito mais adequada, pois o brilho da WR42e é forte demais para isso. No entanto, essas estrelas gigantes de vida curta têm um papel essencial na criação da vida. Na origem do Universo, existiam apenas elementos muito leves, como o hidrogênio.

Dentro das estrelas, ocorre a fusão nuclear, que dá origem a elementos mais pesados, como o carbono e o oxigênio, que são essenciais para a vida. Se todas as estrelas fossem estáveis como o Sol, elas não expulsariam esses elementos na quantidade necessária para formar os planetas – como a Terra e tudo que há nela.

Bolha cósmica gerada por estrela lembra cabeça de cão ou lobo

Objeto fica 5 mil anos-luz da Terra, na constelação do Cão Maior.
Estudo da Agência Espacial Europeia reúne imagens ópticas e em raios X.

Do G1, em São Paulo

Uma bolha cósmica gigante soprada por uma estrela a 5 mil anos-luz de distância da Terra, na constelação do Cão Maior, foi registrada pela Agência Espacial Europeia (ESA). O estudo, que reúne imagens ópticas e em raios X, foi publicado na revista "Astrophysical Journal".

Os astrônomos acham que a bolha S 308 lembra a cabeça de um cão ou lobo, sendo uma orelha a parte superior esquerda, as estrelas mais brilhantes os olhos, e o focinho a região azul, mais à direita.

A bolha tem 60 anos-luz de diâmetro e é provocada por um forte vento produzido pelo astro em rosa no centro da imagem abaixo, chamado Wolf-Rayet HD 50896.

Bolha ESA (Foto:  ESA, J. Toala & M. Guerrero (IAA-CSIC), Y.-H. Chu & R. Gruendl (UIUC), S. Arthur (CRyA–UNAM), R. Smith (NOAO/CTIO), S. Snowden (NASA/GSFC) and G. Ramos-Larios (IAM)) 
Bolha captada pela ESA (Foto: ESA, J. Toala & M. Guerrero (IAA-CSIC), Y.-H. Chu & R. Gruendl (UIUC), S. Arthur (CRyA–UNAM), R. Smith (NOAO/CTIO), S. Snowden (NASA/GSFC) e G. Ramos-Larios (IAM))
 
As partes em azul representam o plasma quente da estrela – a milhões de graus –, enquanto as verdes são resultado do choque entre o material que é expelido pelo astro e as camadas de gás e poeira já ejetadas anteriormente ao espaço.

A cor azul é visível apenas em raios X e foi flagrada pela câmera Epic, da sonda europeia XMM-Newton. A rosa e a verde foram captadas por dados ópticos, a partir de um telescópio instalado no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no norte do Chile.

Bolhas do tipo Wolf-Rayet são produzidas por estrelas enormes e quentes, normalmente com massa superior a 35 vezes a do Sol. Com o tempo, a S 308 deve estourar e se dispersar no ambiente à sua volta, enquanto o astro cor-de-rosa terminará a vida explodindo como uma supernova.

La cicatrice della Luna

Un dettaglio dell’Oceano delle Tempeste (fonte: NASA/GSFC/Arizona State University) 
Un dettaglio dell’Oceano delle Tempeste (fonte: NASA/GSFC/Arizona State University)
 
La faccia visibile della Luna ha una cicatrice antichissima: porta i segni di un impatto molto antico e violento che ha plasmato la superficie lunare, dando origine al grande oceano delle Tempeste, E' anche la spiegazione del perché i due lati della luna siano composti da rocce di tipo diverso. La scoperta si deve a uno studio giapponese pubblicato sulla rivista Nature Geoscience, coordinato da Ryosuke Nakamura, dell'Istituto di Scienza e tecnologia avanzate di Tsukuba.

L'asimmetria tra la faccia visibile e quella nascosta della Luna è stata scoperta nel 1959, quando per la prima volta è stata osservata la faccia nascosta della luna grazie alla sonda sovietica Luna 3. La differenza, spiegano gli autori dello studio, si evince dalla distribuzione dei mari di basalto, che coprono solo una piccola percentuale del lato nascosto, rispetto a circa il 30% sulla faccia visibile, allo spessore della crosta e dalle concentrazioni di elementi radioattivi, ma l'origine di questa diversità è stata sempre controversa.

Grazie ai dati inviati dalla sonda Kaguya/Selene, dell'Agenzia spaziale giapponese Jaxa, i ricercatori hanno studiato la composizione della superficie lunare relativa a entrambi i lati del nostro satellite. I dati mostrano che un tipo di minerale chiamato pirosseno, indicativo della fusione e dell'azione di scavo del materiale del mantello lunare, si concentra soprattutto intorno a crateri da impatto di grandi dimensioni e intorno all'antico oceano delle tempeste, che ha un diametro di 3.000 chilometri. Pertanto, secondo gli esperti, l'associazione di basso contenuto di questo minerale con un bacino lunare potrebbe indicare un'origine da impatto di questo vasto oceano lunare. Per i ricercatori l'impatto sarebbe avvenuto molto presto nella storia della Luna e avrebbe scavato la crosta originale sulla faccia visibile, portando alla formazione di una nuova crosta, dalla composizione differente.

www.ansa.it

sábado, 27 de outubro de 2012

Novos astronautas chegam com 32 peixes de aquário à Estação Espacial

Dois russos e um americano atracaram na ISS às 10h29 de quinta (25).
Missão 33/34 deve durar seis meses; tripulação fez videoconferência.

Da Reuters

Três astronautas – dois novatos da Rússia e um veterano dos EUA – chegaram na quinta-feira (25) à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) levando consigo 32 peixes de aquário.

Oleg Novitskiy, Evgeny Tarelkin e Kevin Ford atracaram na estação às 10h29 (horário de Brasília), após dois dias de viagem na nave russa Soyuz.

Após verificar a vedação entre as duas naves, o trio se juntou à comandante da estação, a americana Sunita Williams, ao japonês Akihiko Hoshide e ao cosmonauta Yuri Malenchenko. Desde 16 de setembro, por causa do rodízio normal dos astronautas, a estação estava com apenas metade da sua tripulação normal.

Soyuz (Foto: Nasa/Bill Ingalls/AP) 
Astronautas fazem videoconferência com controle russo da missão. Na frente, em azul, estão os recém-chegados Novitskiy (esq.), Ford e Tarelkin. Atrás, Hoshide, Sunita e Malenchenko (Foto: Nasa/Bill Ingalls/AP)
 
"É ótimo ver vocês seis em órbita e seus rostos sorridentes", disse William Gerstenmaier, administrador-associado da agência espacial americana (Nasa) para voos espaciais, que falou por rádio no controle russo da missão, perto de Moscou.

Ford, que havia ido à estação em 2009 em um ônibus espacial dos EUA, disse que notou ruídos e vibrações diferentes na Soyuz, mas que a viagem foi agradável.

Já seus dois colegas russos, novatos, tiveram alguma dificuldade para se adaptar à falta de gravidade. "Tenho de admitir que foi um pouco difícil no primeiro dia, mas aí ficou melhor e mais fácil", revelou um dos cosmonautas da missão 33/34, que deve durar seis meses.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Maior complexo astronômico no Atacama revela imagens do projeto

Telescópio Alma está em construção no Chile e deve ficar pronto em março.
Antenas de rádio compõem a obra, que observará corpos celestes frios.

Do G1, em São Paulo

O maior projeto de astronomia terrestre via rádio do mundo, em construção pelo Observatório Europeu do Sul (ESO) e parceiros internacionais – como o Brasil – no deserto do Atacama, no norte do Chile, teve novas imagens divulgadas nesta sexta-feira (26). A obra deve ser concluída em março de 2013.

Várias antenas de rádio foram instaladas nessa região árida do Planalto de Chajnator para compor o telescópio de última geração Alma (sigla de Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array), que deve estudar a radiação produzida por alguns dos objetos mais frios do Universo.  

Telescópio Alma Chile (Foto: Jorge Saenz/AP) 
Conjunto de antenas de rádio forma telescópio Alma, instalado no deserto do Atacama 
(Foto: Jorge Saenz/AP)
 
Essas antenas serão articuladas como um telescópio gigante único, capaz de captar comprimentos de ondas de luz mil vezes mais longos do que qualquer objeto visível a olho nu, além de corpos mais frios do que registram os telescópios infravermelhos, que são bons em observar planetas distantes e sóis, mas acabam perdendo alguns planetas e nuvens de gases onde as estrelas se formam.

Telescópio Alma Chile (Foto: Jorge Saenz/AP) 
Telescópio está na fase final de construção e deve ficar pronto em março de 2013 
(Foto: Jorge Saenz/AP)
 
Na imagem abaixo, feita em setembro, o pintor chileno Osandor Iver trabalha em uma das antenas do Alma.


Telescópio Alma Chile (Foto: Jorge Saenz/AP) 
Pintor chileno participa da obra do maior complexo astronômico terrestre do mundo 
(Foto: Jorge Saenz/AP)
 
Nesta outra foto, o complexo aparece à noite, iluminado pela luz da lua.

Telescópio Alma Chile (Foto: Jorge Saenz/AP) 
Telescópio Alma é visto à noite, sob luz da lua, no deserto do Atacama, norte do Chile 
(Foto: Jorge Saenz/AP)
 
Abaixo, à esquerda, aparece o solo árido do deserto do Atacama, que é considerado o mais seco do mundo e cujo clima com baixíssima umidade ajuda a não ter interferência de outros sinais de rádio. Além disso, o telescópio, extremamente sensível, está instalado em uma região a quase 5 mil metros de altitude, o que facilita as observações.

À direita, aparece a primeira imagem antecipada pelo Alma, há um ano, que revela um par de galáxias espirais que se colidem a 70 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação do Corvo. A imagem combinou dois comprimentos de onda diferentes, durante os testes iniciais feitos em luz visível.


Telescópio Alma Chile (Foto: Jorge Saenz/AP) 
Deserto é considerado o mais seco do mundo; à dir., galáxias vistas em testes
 (Foto: Jorge Saenz/AP/Alma)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Estudo identifica sistema de pulsar com órbita mais rápida já observada

Estrela de nêutrons orbita com estrela companheira a cada 93 minutos.
Achado foi feito por equipe internacional, que analisou dados de 4 anos.

Do G1, em São Paulo

Um pulsar que viaja pelo espaço com uma estrela companheira, completando a órbita mais rápida já vista para esse tipo de sistema, foi detectado por uma equipe de astrônomos, que publicou estudo na revista “Science” desta quinta-feira (25).

Um pulsar é uma estrela de nêutrons, um objeto compacto e muito denso, muitas vezes com grande rotação, formado durante a explosão de uma estrela.

O pulsar deste estudo, que gira 390 vezes por segundo em torno de seu próprio eixo, se localiza na constelação do Centauro e tem uma estrela companheira que gira ao seu redor. A dupla faz uma órbita em torno de seu centro de massa comum em apenas 93 minutos. A velocidade do pulsar chega a 13 mil quilômetros por hora, e a da parceira é ainda maior: 2,8 milhões de quilômetros por hora.

Segundo os cientistas, liderados por Holger Pletsch, do Instituto Max Planck de Física Gravitacional, na Alemanha, esse é o mais curto período orbital conhecido de todos os pulsares que habitam sistemas binários – em que dois corpos giram em volta de um centro comum, ligados gravitacionalmente.


Pulsar estrela de nêutrons (Foto: Nasa/ESA/AEI/Milde Marketing Science Communication) 
O calor emitido pelo pulsar (esq.) aquece e evapora a estrela companheira. A estrela de nêutrons é cercada por um forte campo magnético, em azul (Foto: Nasa/ESA/AEI/Milde Marketing Science Communication)
 
Esse astro de nêutrons, chamado PSR J1311-3430, é o que restou da explosão de estrelas massivas. Ele ainda concentra muita massa, apesar de ser bastante compacto. De acordo com a equipe, a descoberta pode ajudar a entender a origem e a evolução desses tipos raros de pulsares, que têm centenas de rotações por segundo e incorporam matéria de suas estrelas companheiras.

O novo pulsar foi apelidado de “viúva negra”, pois está “sugando” o astro que orbita – este já identificado anteriormente por telescópios ópticos. O nome, segundo os astrônomos, é uma alusão à espécie de aranha em que a fêmea mata o macho após a cópula. Isso porque, no futuro, a PSR J1311-3430 pode acabar evaporando por inteiro a parceira – que é feita basicamente de gás hélio – e ficar sozinha. Cada vez mais, as duas estão se aproximando, e atualmente ficam a 1,4 vez a distância da Terra em relação à Lua.

Pulsar estrela de nêutrons (Foto: SDO/AIA/AEI) 
Raios gama emitidos pelo pulsar, em rosa, estão evaporando a estrela companheira. O sistema é tão compacto que caberia inteiro dentro do nosso Sol, como mostra a ilustração acima (Foto: SDO/AIA/AEI)
 
Algumas estrelas de nêutrons giram em torno de seu próprio eixo e emitem ao espaço feixes de raios gama semelhantes a um farol. Esse sinal radioativo também revela muito sobre a companheira, que no atual caso é pequena e extremamente densa – com pelo menos oito vezes a massa de Júpiter e apenas 60% do raio do planeta. Em relação ao Sol, a densidade do astro que acompanha a PSR J1311-3430 é cerca 30 vezes maior.

Desde 2008, o lançamento do telescópio espacial de raios gama Fermi, da Nasa, tem colaborado para que os astrônomos detectem um grande número de pulsares – esse novo foi encontrado graças à técnica, após uma análise de dados obtidos ao longo de quatro anos. O primeiro pulsar rápido foi descoberto há 30 anos, por outros métodos.
 
 
 
O novo pulsar fica acima da lança na constelação do Centauro, na Via Láctea 
(Foto: Stellarium/AEI/Knispel)
 
Os cientistas planejam agora novas observações em frequências mais altas de radiação para determinar com precisão a distância entre esse pulsar e a Terra, por exemplo.

Johannes Michael Antonius Polman (Pe.Jorge Polman)


Johannes Michael Antonius Polman

Personagens da nossa Astronomia

JOHANNES MICHAEL ANTONIUS POLMAN
(Pe. Jorge Polman)
1927-1986
* Nelson Travnik

No dia 02 de junho de 1986, às 11 horas, com 59 anos de idade falecia Johannes Michael Antonius Polman ou como era conhecido, Pe. Jorge Polman vitima de um derrame cerebral. Polman nasceu em 07 de janeiro de 1927 na bela, histórica e culta Amsterdam, Holanda. Viveu portanto 59 anos, tempo demasiadamente curto para quem ainda tinha tanto a contribuir com a ciência astronômica e como servo de Deus. Polman chegou ao Brasil em 1952 e ainda não era padre. Esse fato viria ocorrer no dia 01 de dezembro de 1957 no Seminário Menor da Várzea, Recife, Pe, pertencente a Ordem Sagrado Coração de Jesus. A partir desse momento ficou largamente conhecido como Pe. Jorge Polman. No inicio de 1970 ingressou no Colégio São João no bairro da Várzea trazendo consigo um telescópio de 4" e que seria a pedra fundamental para a criação do Clube Estudantil de Astronomia, CEA. Polman era professor de Ciências Físicas e Biológicas e nas horas vagas dedicava-se a astronomia. Não tardou portanto que os seus alunos entusiasmados com os conhecimentos transmitidos por Polman solicitassem instruções para a fundação de uma entidade. E assim surgiu o CEA, tendo como fundador Pe. Polman, figura admirável que a Holanda nos legou. Com a criação do CEA seguiu-se uma serie de atividades práticas, cursos, palestras, programas observacionais e participação em seminários e congressos. A criação da 'Sociedade Astronômica do Recife', SAR, viria logo a seguir e Polman seria seu primeiro presidente. Não tardou que o CEA erigisse no Colégio seu observatório com cúpula e vários instrumentos. Montou uma oficina completa para fabricação de telescópios. Seu lema predileto, como ficou largamente conhecido em todas as ocasiões era: Observar, Observar, Sempre Observar. Seu trabalho tinha o céu como limite.

Polman montando o seu micrômetro bifilar.
Sky and Telescope, Março/1977.


CONTRIBUIÇÕES

Em 1977 Polman desenvolveu um micrometro bifilar que foi motivo para uma ampla reportagem na revista 'Sky and Telescope', nº de maio de 1977, páginas 391 a 393. Polman foi um principais articuladores para a criação da LIADA; foi nomeado Conselheiro da IUAA (International Union of Amateur Astromers) em 1981 e Diretor da Seção de Ocultações por asteroides da LIADA. Desenvolveu grande e reconhecida atividade em estrelas variáveis, estrelas duplas, ocultações de estrelas e asteroides e cometas. Participou no Programa 'Luna Incognita' da ALPO (Association of Lunar and Planetary Observers), além de observações solares para essa e outras entidades. Polman esteve presente em vários congressos no País e exterior. Em um deles estivemos juntos em Montevideo, Uruguai. Veio a Campinas, SP, para observar nosso trabalho no Observatório Municipal e tive o privilégio de hospedá-lo em minha residência. Nutríamos uma grande amizade fruto de uma forte identificação de pensamentos. Polman deixou uma semente que germinou, cresceu e deu bons frutos para a astronomia não só de Pernambuco mas de todo o Brasil. Formou uma legião de discípulos e admiradores. Talvez o mais dedicado deles seja o Audemário Prazeres, hoje residindo em Bezerros, interior de Pernambuco. Seguindo pensamento de Polman, Audemário criou e é o presidente da 'Associação Astronômica de Pernambuco', AAP, que visa criar naquela próspera cidade um moderno planetário junto a um observatório astronômico. A partir de 2010 seu nome está perpetuado em Campinas, SP, no 'Observatório Astronômico Pe. Jorge Polman' do Colégio Sagrado Coração de Jesus dirigido pelo colega Júlio C. F. Lobo. A ele aplicamos o pensamento de Goethe: "Maior que a influência atribuída as estrelas, é a que a memoria dos homens bons exerce sobre nossa vida, nosso caráter, nosso destino". Polman, sacerdote de Deus e de Urânia. SEMPER OBSERVANDUM.

*O autor é astrônomo nos observatórios municipais de Americana e Piracicaba, SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

Romildo Póvoa Faria - Personagens da nossa Astronomia

Romildo Póvoa Faria


 Personagens da nossa Astronomia


1952-2009

*Nelson Travnik

A comunidade astronômica brasileira foi abalada quando no dia 21 de abril de 2009, no Hospital Walfredo Gurgel de Natal/RN, vitima de um AVC, falecia com apenas 57 anos o renomado físico, astrônomo, educador e escritor, Romildo Póvoa Faria. Havia sido indicado pelo colega Carlos E. Mariano de Campinas, para dirigir o planetário de sua fabricação "Sphaera Planetária" adquirido pela cidade de Parnamirim/RN. Estava realizando treinamento da equipe e no dia 1º de abril de 2009, havia sido contratado pela Prefeitura daquela cidade. Romildo nasceu no dia 30 de novembro de 1952 em Manhuaçu, interior de Minas Gerais. Lá passou sua infância e adolescência. Naturalmente aquele céu maravilhoso do interior despertou nele inusitado interesse em conhecer astronomia. Fascinado pela ciência do céu, veio em 1970 para a cidade de São Paulo. Matriculou-se na USP em 1972 e mais tarde foi diplomado em física e matemática. Na ocasião foi colega do também renomado físico, astrônomo, educador e escritor, Paulo Bedaque com quem nutria grande amizade.  Começou dedicar-se em astronomia como planetarista e professor de cursos no Planetário e Escola Municipal de Astrofísica de São Paulo. Lá conheceu o Aulos Plautius Pimenta, também físico e astrônomo como ele e mais tarde ambos seriam contratados pela Prefeitura Municipal de Campinas/SP para trabalhar no Observatório Municipal 'Jean Nicolini'. De 1977 a 1980 realizaram cursos em diversos níveis. Radicado em Campinas, foi diretor de astronomia do Centro de Ciências, Letras e Artes, CCLA ,de 1980 a 1983. De 1984 a 1986 lecionou nos colégios Oswald de Andrade e Logos em São Paulo. Por quase 20 anos trabalhou no Planetário do Museu Dinâmico de Ciências de Campinas. Contratado como professor pela UNICAMP, atuou na Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários. Em 1994 foi professor de ciências no Colégio Sagrado Coração de Jesus onde mais tarde seria construído o "Observatório Jorge Polman". Foi consultor e Assessor do MEC para elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais na área de ciências. Foi coordenador do Planetário de Campinas e participou dos trabalhos para fundação da Associação Brasileira de Planetários, ABP, sendo seu primeiro presidente , eleito por dois mandatos (1996 a 2000) Nesta época foi eleito diretor administrativo da Organização Ibero-Americana de Planetários, OIAP, para o período 1996/98. Coordenou no Planetário o 1º Encontro Brasileiro de Ensino da Astronomia.

OBRAS

Dotado de uma didática excepcional, Romildo escreveu os seguintes livros: Fundamentos de Astronomia; Halley, Viajante do Universo; Visão do Universo; Olhando para o Céu; Iniciação à Astronomia; Maravilhas do Céu Estrelado; Cartilha Astronômica e Astronomia a Olho Nu.

PESSOA

Ainda jovem em Manhuaçu, Romildo conheceu sua primeira esposa Zezé com quem teve uma filha. Vivia desde 2001  com sua segunda esposa Lena com quem teve dois filhos, Vinicius e Helena. Romildo era uma pessoa carismática com um excelente timbre de voz. Uma gravação sua é utilizada até hoje no Planetário de Campinas, MDC. Trabalhamos juntos no Observatório Municipal de Campinas 'Jean Nicolini' e estávamos sempre em contato no Planetário. Participamos juntos de vários eventos. Seu nome consta do Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, 2ª edição, de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, Editora Nova Fronteira, RJ. Sua ausência deixa um enorme vazio em todos nós que o admirávamos como colega e amigo. 

*O autor é astrônomo nos observatórios municipais de Americana e Piracicaba e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

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